sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Gritar bem alto

Está lá, 
como se não estivesse...
Ouves,
não podes responder,
Vês,
não podes comentar.

Sentes,
não podes não sentir.

Então travas as palavras,
fechas o sorrir
olhas fazendo de conta que não vês
e gritas
sem te fazer ouvir.

E gritas mais alto,
mais alto sempre,
no limite da tua capacidade pulmonar
com todo o  cuidado,
para ninguém escutar.

gpesses

Confusão de vozes
confusão de faces
confusão de olhares
misturados, plasmados uns nos outros
amálgama de sensações
que não se sentem.

Procura dum caminho,
por entre as vozes,
por entre as faces
furando pelo meio de olhares 
que não trazem soluções,
que por mais que se olhem.

Para um destino que se sabe
se distingue com clareza,
mesmo com tanta confusão
de vozes, de faces e de olhares.
Mas para lá chegar 
não se conhecem direções
nem há GPesses, que as  indiquem..




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sem som

Nada que se entenda
nestas palavras sem som
sem sentido, sem música.

Por entre os pequenos espaços
entre as moléculas do tempo,
onde a voz escorrega sem se ouvir
soltando-se palavras
sem som
sem sentido, sem música.

Assim,
se fala  sem  consequência,
(palavras de sabedoria imensa
que não provocam o acontecer)
sem som
sem sentido
 e em que música se escapa
por entre os pequenos espaços
entre as moléculas do tempo.

Demência.

Ir á boleia de ti...
Conversa oca
saudade em vários tons.

À boleia... ao lado,
nem à frente nem atrás.
Conversa louca
saudade em vários sons.

Chegar acompanhado
falar acompanhado
sonhar acompanhado

conversa tosca
saudade em tanta voz.

Chove saudade,
e no vento mais saudade.
Conversa rouca:
sussuro de saudade
é só.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Está lá

Está lá,
firme, visível, palpável.
Improvável.
Tão improvável quanto verificável.

Não há preço, não há valor quantificável
e não é transacionável.
O que é preciso é saber
que está lá.

Só de saber isso,
só de sentir isso,
o chão que se pisa, vira conforto de núvem sedutora,
os pés deslizam sem dar passos,
os olhos voam horizontes,
o respirar faz-se de brisas aromatizadas
o viver, fica planar, em azuis de infinitos, que se tocam.

Está lá,
firme, visível.
Com tanto de verificável
como de improvável.

E porque está lá,
está aqui.


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