terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vozes


É talvez crime...
Disseram-me que é crime,
as vozes roucas do silêncio que me fala.
As vozes que só eu oiço.

É crime!!!

É talvez doença...
Cochicham entre si as vozes em surdina
as vozes que só eu oiço
as vozes do silêncio triste.

É doença...

Portanto,
nem elas, sabem.

Chuva impossível


Esta noite
a escuridão fechou a perspetiva
o céu não passa duma fronteira fechada
que encravou o horizonte.
Não há fuga.
Não há caminho.

Claustrofobia imensa
feita da água salgada dos meus olhos
que transborda sem ter para onde seguir:
que o céu fechado
nem sequer permite a chuva!

Cimêncio


Distância aqui.
Mesmo aqui ao lado.
Distância sem distar.
Distância perto.

Quando o perto se faz tão longe que os olhos não vêm.,
que o falar se cala
que a saudade inunda.

Distância que é feita muros de cimento/silêncio:
Cimêncio.
Distância feita de cimêncio louco,
que mata o sono
e mata o ser.

O absurdo da distância perto,
que faz doer tanto.

Nada a fazer.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Bem alto

Bem alto, bem alto,
lá onde o som encontra o sol
onde as núvens ficaram para trás
bem alto, lá bem alto,
onde a chuva se cansou de tentar chegar
e os medos se arependeram da viagem
um espaço de distância que se fez morada
de quem sonha.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Som

O som do nada na constante da noite
grita, agride,
penetra no interior dos sonhos e mata-os
e cria pesadelos.

Calam-se as vozes, calam-se todas as músicas
até se calam as vontades,
que o som do nada é tão forte, que não vale a pena.

Só mesmo o som do nada na constante da noite
se faz ouvir.

Luar de luto



Tão negra
enche de negro o céu
e espalha o negro pela terra e pela água
e espalha o negro pela  alma.

Os olhares são também negros.
tal com os risos e os choros das crianças
Menos os pássaros
que se esconderam, negros de pavor.

Agora que o sol deixou de acontecer
resta apenas esta enorme bola escura
que nos acompanha sempre:

esta terrível lua negra.
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