quinta-feira, 24 de março de 2016

Juistiça, sempre a justiça....

                            


Faz aproximadamente dois mil anos, que um homem foi enviado à justiça.
E condenado.
Por crimes que cometeu? Bem....talvez sim: desde o fazer milagres ao Domingo, até usar violência para com os vendilhões do templo, passando por afirmar ser rei, usurpando o cargo ao afirmá-lo.... passando ainda por outras coisas mais.

E estes crimes justificam, a pena de morte a que foi condenado?

Na verdade, já nesse tempo, a justiça podia ser posta ao serviço das classes dominantes, de forma a que, pretextos judiciários servissem de instrumento para outros desidratos mais relevantes.
Assim, um perigo eminente para o sistema, foi facilmente destruido, com recurso a meios judiciários.

O homem foi, ao que consta, pregado na cruz e aí terá morrido.

E os media? Bem, não haveria propriamente media na altura, mas facto é que foi possível já, por meios de propaganda, manipular as massas poopulares, ao ponto de estas, aglomeradas e absolutamente convictas da sua razão, aclamarem a libertação de um terrível criminoso, Barrabás e, ao mesmo tempo, reclamarem a pena de morte para um, quando muito, criminosozito de meia tijela, de seu nome, Jesus Cristo.

Não.

Realmente o Mundo não mudou assim tanto como isso!

terça-feira, 1 de março de 2016

ventempo

O tempo é o vento,
ora sopra mais, ora sopra ainda mais
se não soprar, então não é.


O vento que parece levar tudo
não leva nunca nada:
apenas amontoa, distorce, dispersa...


O tempo é o vento.
O tempo não leva nada.

O vento arrefece os corpos, por fora.
O tempo arrefece as almas, por dentro.

O tempo é o vento do sentir.

Fechas as portas e as janelas,
mas o vento força!
Invade pelos minúsculos espaços disponíveis.
O vento é hábil. Engenhoso.
O vento vence sempre.

O tempo tem a mesma habilidade.
O tempo é como o vento!

O ventotempo
                      é triste.

Modernidade líquida (um) segundo Zygmunt Bauman


Chegamos a um momento em que não sabemos o que somos. Sabemos que não somos modernos, pois a razão não é tão poderosa quanto outrora, mas também, ainda não sabemos em que estágio estamos. Assim, a contemporaneidade é chamada de pós-moderna, ou como prefere o sociólogo Polonês Zygmunt Bauman - Modernidade Líquida.

Nesse universo, tudo é fluído e muda com extrema rapidez, não há espaço para coisas sólidas, já que em tempos líquidos, tudo que é sólido se desmancha no ar. Dessa maneira, o amor , a amizade, também assumem uma nova face diante de todas essas mudanças, assumindo uma forma líquida.

Como dito, o mundo pós-moderno é marcado pela extrema fluidez e velocidade que as relações possuem, de tal modo que a facilidade em desconectar é o principal elemento das relações. Uma relação que nos prende e finca raízes e que, por conseguinte, não permite desconectar com tanta facilidade é um fardo que o homem contemporâneo parece não querer carregar.

Assim, como se estivessem numa grande feira, os indivíduos compram, trocam e vendem relacionamentos. Tudo isso graças à facilidade de desconectar. Acreditam que com as suas inúmeras experiências, tornam-se experts de relacionamentos.. Entretanto, o que adquirem é apenas a

"Habilidade de terminar rapidamente e começar do início."

Ou seja, os muitos relacionamentos não significam necessariamente mais amor ou mais amizade. A rapidez com que descartam os relacionamentos não permite conhecer o outro a ponto se relacionar verdadeiramente. Em verdade nessa fluidez chega a ser um contrassenso a ideia de relacionamento, uma vez que relacionar-se significa “levar consigo”, e “levar consigo”,está fora do cardápio pós-moderno.

"É tentador afirmar que o efeito dessa aparente aquisição de habilidades tende a ser, como no caso de Don Giovanni, o desaparecimento do amor - uma exercitada incapacidade para amar."

Estamos presos ao nosso próprio eu, o que se tornou ainda mais viável com o desenvolvimento dos aparelhos tecnológicos e a internet. Não queremos nos dar o trabalho de investir em relacionamentos, tudo é uma questão de custo-benefício. Os relacionamentos transformaram-se em meras mercadorias, de forma que o que se busca é sempre lucrar com o produto final.

Não há tempo para a semeadura, a qual além de levar tempo é desgastante. Queremos tão somente usufruir do produto acabado, e quando este já não nos serve, trocamos por outro, afinal, essa é a lógica do mercado, e  amor e amizade, nesse contexto, também se encontra na vitrine.

"E assim é numa cultura consumista como a nossa que favorece o produto pronto para o uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução de dinheiro."

Os relacionamentos, assim, são vistos como investimentos comerciais. Não há tempo a perder, é preciso estar atento ao mercado, pois, quando este acenar com possibilidades melhores, tenho que estar pronto para me desfazer dos relacionamentos que possuo e usufruir de outros melhores.

"O parceiro  é a ação a ser vendida ou o prejuízo a ser eliminado - e ninguém consulta as ações antes de devolvê-las ao mercado, nem os prejuízos antes de cortá-los."

O amor e a amizade líquidos são a transformação dos homens em mercadorias, é a solidão de uma sociedade individualista que busca relacionar-se, mas sem se envolver, como se as pessoas fossem descartáveis. A insegurança impede que raízes sejam fincadas, que o produto acabado se transforme  em produto construído, que alguém esteja dentro de mim. No máximo o que são permitidos são os "relacionamentos de bolso", os quais você guarda no bolso de modo a poder lançar mãos deles quando for preciso.

Amor e amizade significam perder tempo, ter dor de cabeça, estar pronto a arriscar, pois nada é um produto acabado, mas antes uma construção perene. É impossível saber se está certo ou errado, pois ainda não se chegou ao fim do caminho. É investir na semeadura, mesmo antes de saber se os frutos nascerão. É preciso esforçar-se, estar pronto em alguns momentos a abdicar do seu eu, colocar-se no lugar do outro.

Vivemos numa sociedade hedonista, em que tudo que retarda a satisfação é visto de forma inadequada, e relações inter.pessoais a sério, precisam de tempo. Dessa forma, os relacionamentos de bolso escondem a insegurança e o medo das pessoas se envolverem, assim como a incapacidade de saírem da zona de conforto e perder tempo com algo. Queremos relacionarnos de forma a obtermos  satisfação e de forma a que por algum momento nos afaste a solidão, mas não queremos ter o trabalho de nem por um momento ter um peso que nos impeça de flutuar, afinal,

"Vivemos em tempos líquidos. Nada é para durar."


Zygmunt Bauman

Modernidade líquida (2)

 Com ajuda preciosa do David Carreira, torna-se mais fácil compreender o conceito da "modernidade líquida":


Tu querias fugir da palavra ‘relação’
Neste lance ficava de fora o coração
Amigos sem compromisso
E cada um sabia disso


...................................

Como uma música solta, que eu escrevi
Tudo me leva pra ti
Parece que deu a volta
E agora eu cai


A modernidade líquida, no amor , na amizade, enfim, no relacionamento humano pode definir-se como o "horror ao compromisso", que tem por base uma falsa concepção de liberdade.

O resultado está na última quadra da lertra desta música... Algué, sai smpre magoado.

Liberdade não é a ausência de compromissos que se assumem. Liberdade não é a submissão às vontades provisórias do inconsciente!

Liberdade é a escolha consciente de compromissos.

Muito ao contrário do que a "modernidade líquida" nos quer fazer crer!
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