domingo, 30 de abril de 2017

Levitar

Descido pelo mar abaixo
no interior do silêncio do abismo
onde só habita, quem não pode ver.

Peso de toneladas de água
(dum azul já negro)
que não se sente

"Enmarado" aí,
como se dentro de um caixão transparente
feito de água e sal
e rodeado das profundezas da vida.

Desliza o tempo como se fosse mar,
em ondas de distância azul,
porque o verde da esperança, se perdeu.

Mas a alma e o corpo, parados:

numa estranha imobilidade bentónica.

Não há

No escuro, um rosto,
no silêncio, uma voz,
no desconhecido, um olá
na insensibilidade, um sentir junto.

A fazer de conta que o vazio é falso.

Depois, o tempo vem e lava,
detergente mágico
detergente trágico.

E já não há.




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