Chega à porta e ensurdece,
(tanto ruído que o silêncio faz,)
abres, ninguém aparece,
esperas, mas ninguém traz...
Tempos surdos, tempos cegos,
espaços de vazios enormes.
Na carne cravam-se pregos,
cansa-te a Vida e não dormes.
Pões-te à espera, estás à espreita
aguardando quem vem lá.
Nem tu nem ninguém aceita
ter em vida a morte já.
Porque tu julgas viver
(não há medidor da vida)
mas estás só a apodrecer
nem sequer tens quem to diga...