Não acerto.
Atiro ao lado, sempre.
Toda a pontaria é vã.
Foge sempre do meu alcance,
porque feito longe não se alcança.
Mas... está mesmo aqui ao lado!
Mesmo ao lado, mesmo ao perto
mas tendo consigo a lonjura de infinitos
a distância do tempo duma nuvem:
que se vê mas não se agarra,
que se sente e não se toca.
Nuvem feita de luz de sol,
inundando o meu Mundo de surpresa:
pela segurança na incerteza,
pela sabedoria ganha sem tempo de se ganhar,
pela enorme dimensão em pouco espaço,
pela serenidade que transpira ação.
Não se acerta no improvável,
mesmo se ele está à nossa vista!
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
sexta-feira, 27 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Dormir
Esta noite,
tem as estrelas fechadas e nem a lua abriu.
Esta noite
mão há pirilampos a brilhar,
as rãs não encantam com o seu canto,
o mundo emudeceu e está frio.
Não me chegam as vozes que me encantam,
os sons que me acordam
os gritos que me alertam.
Fico fechado na noite que me fecha:
vou dormir!
tem as estrelas fechadas e nem a lua abriu.
Esta noite
mão há pirilampos a brilhar,
as rãs não encantam com o seu canto,
o mundo emudeceu e está frio.
Não me chegam as vozes que me encantam,
os sons que me acordam
os gritos que me alertam.
Fico fechado na noite que me fecha:
vou dormir!
sábado, 14 de abril de 2012
Encarnação
Tens o tamanho do mundo...
E tão longe como o espaço
e tão fundo como o mar
e tão forte como o vento
tão distante como o tempo,
mas tão perto como o ar.
De tão forte fazes medo,
de tão longe, não se chega,
de tão fundo, ficas longe
da distância, dás saudade
de tão perto, ficas eu.
Como se o Universo inteiro
fosse pessoa.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
medosmudos
Palavras que não há
frases que não dizem
pensamentos que sobram
teimosias que se arrastam,
Incapacidades do falar
deglutições do exprimir
porque há medos no ar:
as incertezas do ouvir
frases que não dizem
pensamentos que sobram
teimosias que se arrastam,
Incapacidades do falar
deglutições do exprimir
porque há medos no ar:
as incertezas do ouvir
sábado, 7 de abril de 2012
Novos evangelhos
Jesus nunca usou um telemóvel.
Em 2000 anos a evolução é espantosa. Ciência e tecnologia ao virar da esquina e em quaquer esquina.
Entretanto, estive a ver, faz alguns dias, o evangelho de Cristo, segundo Angelina Jolie. Cristo humilhado e crucificado milhares de vezes, na Bósnia. Cristo usava telemóvel, e deslocava-se de carro ou de avião.
Remar contra a maré. Teimosia insensata de alguns. Acontecia já há dois mil anos e continua a acontecer hoje, diariamente. E dá origem a segregação, discriminação, violência psicológica ou física ou ambas.
Tanto há dois mil anos como hoje as "massas" aderem à dominante ideológica, reprimindo com maior ou menor violência as opiniões minoritárias. Chegando ao ponto de ser possível o apoio generalizado de milhões de seres humanos, a um genocídio, desde que se crie uma ideologia que o justifique.
Foi possível, há dois mil anos, haver quem genuinamente se divertisse , soltando gargalhadas, com o espetáculo, ao vivo, de um homem a ser espancado, humilhado, torturado até à morte. Táo possivel hoje como nessa época: aconteceu na Alemanha, com Hitler, na União soviética, com Estaline, na China, com Mao-Tse-Dong, em Portugal, com Salazar. Na Bósnia. Em Guantanamo. Etc.
Tão possível há dois mil anos como hoje, uma enorme maioria da população dar o seu apoio à brutalidade e à barbárie. Todos e cada um de nós somos capazes de o fazer, dependendo das circunstâncias e das razões que no momento se nos afigurem como as válidas.
Continuamos a achar que há a perspetiva certa e não encaramos o facto de, na realidade, existirem diferentes perspetivas. *
Em 2000 anos construimos um mundo novo de ciência, tecnologia e sabedoria.
Em 2000 anos permanecemos iguais a nós próprios no que respeita a comportamentos.
* Com um especial agradecimento ao autor desta frase, que aparece aqui adaptapada ao presente contexto
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