quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

In tempore



Passava já da meia-noite, quando se lembrou de ir verificar o correio. Entrou na conta e lá estava: um novo e-mail. Leu.
Rapidamente percebeu que tinha muito pouco tempo para tudo o que precisava de fazer.
 Correu: foi buscar um caderno, uma caneta, começou a percorrer o histórico dos e-mails e a responder, escrevendo as respostas no caderno. E assim continuou por longas horas, já que muita coisa havia a responder. Finalmente, com o caderno cheio, deu a tarefa por concluída e olhou para o relógio. "Bolas, já são 7 da manhã, terei ainda tempo?" -pensou.
Correu a casa à procura dumas coisinhas que se esquecera de entregar, mas, onde estavam elas agora? Lá as foi encontrando. Procurou um saco. Colocou no saco o caderno, mais as tais coisinhas.
"Meu Deus, já são 7.30h! Terei ainda tempo" -pensou.
Correu a vestir-se, desceu as escadas e entrou no carro. Ligou a ignição deu ao motor de arranque e...nada. Insistiu. E o tempo que passava. Voltou a insistir e, finalmente, motor a trabalhar! Arrancou e conduziu apressadamente pelas ruas da cidade. Talvez ainda chegasse a tempo, sim!
Chegou.  Dez minutos passados da hora. E agora?
Claro, já lá estava o padre a rezar a missa, o que tornava tudo agora mais difícil. Juntou-se aos outos e participou na celebração, à espera do momento oportuno, sempre com o saco ao seu lado. Chegou a altura ideal, quando o padre, dirigindo-se à assistência disse "saudai-vos na paz de Cristo". As pessoas começaram então a cumprimentar-se e ele aproveitou este momento de distração para se aproximar e colocar o saco dentro do caixão do defunto, sem que ninguém desse por isso.
Mais calmo, agora, acabou de assistir à celebração. Viu o caixão a ser tapado e depois transportado e colocado na cova.
Regressou a casa, feliz.
Tinha conseguido!
Entregara tudo o que havia ficado por entregar e até tinha conseguido ficar, sem nada por dizer.
 

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