quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

No estranho reino da Dinamarca (4) (final)


I -  A descoberta do mistério

Nem todos os mistérios deste reino, porém, permanecem misteriosos para sempre. Alguns acabam por se esclarecer, duma forma, por vezes, de causar espanto, pela sua, afinal, tão grande simplicidade.
Infelizmente, descobre-se um mistério e, logo atrás dele, surgem outros cuja explicação se oculta de novo, nos densos nevoeiros caraterísticos do reino.
Sentado mesmo ao lado da famosa e pequena marmaid dinamarqueza, Axel observa o longe do mar, o contínuo vai e vem dos navios rumo à Suécia,  liberta o pensamento e resolve um dos mistérios que há tanto tempo não havia meio de perceber, mas que agora, uma vez percbido, o faz estremecer ao pensar na irrealidade que criou, na sua mente,e que , não obstante todas as evidências, foi permitindo que permanecesse.
Axel, na verdade, manteve ao longo de anos um relacionamento totalmente equívoco com Soren, sem se aperceber da gigantesca diferença de registos entre ambos. Para Axel, o seu relacionamento com Soren, estava enquadrado num registo de uma amizade muito intensa, de grande empatia e proximidade. Agora, finalmente, conseguiu perceber que esse nunca fora, porém, o registo de Soren. Na verdade, para Soren, Axel sempre foi um simples conhecido, por quem, se nutre alguma simpatia, mas, nada mais que isso.
A descoberta deste mistério, permite agora a Axel entender um vastissimo conjunto de situações, que, absurdamente, ao não ter anteriormente percebido esta diferença de registos, lhes foram causando, uma após outra, inúmeras situações de tristeza, mágoa, incompreensão.
Resolvido o mistério, tudo fica completamente claro e explicado.
Valeu para a resolução deste mistério, uma afirmação/interrogação, que lhe foi colocada por Soren. Afirmação/interrogação essa, que claramente lhe mostrou que todas as conversas que anteriormente haviam tido, e, até mesmo um livro, escrito e publicado por Axel,   passaram o "gap" da comunicação.

II - Um novo mistério

Surge logo de seguida, porém, na mente de Axel, um segundo mistério, talvez tão, se não mais, complicado que o primeiro: como foi possível, durante tanto tempo, que o seu raciocínio tivesse sido incapaz de compreender uma situação tão clara, com tantas evidências, que se foram sucedendo, uma atrás outra. ao longo de anos?
Talvez culpa dos duendes. Os mesmos, que de forma tão decisiva foram capazes de inspirar  Hans Christian Andersen nos seus fantásticos contos para crianças, tivessem também eles perturbado o raciocínio de Axel, criando um filme na sua mente delirante.
Ou talvez que Axel tenha andado a frequentar vezes demais as salas de cinema: é que "amigos improváveis", não passa, realmente, de um filme!

III
Esclarecido um mistério, restando outro.
Axel olha o mar e sabe que, mesmo que feche os olhos, continua a sentir o mar.
Não há portas que fechem sentimentos.




2 comentários:

  1. Afinal, foi isto que se passou...!
    Dizes bem: " Não há portas que fechem sentimentos". O tempo, ou a sua passagem, tudo transforma, porém. O que não significa que apague.

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    Respostas
    1. Pelo menos, não encontro outra "leitura" possível...

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