quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Um bocadinho fora de prazo...


Correram dias e horas
momentos que não foram
vozes que não se ouviram
mas, ainda era tempo.

Depois vieram dias de sol, noites de lua
dias sem sol, noites sem lua
momentos que não foram
e vozes que não se ouviram
mas, ainda era tempo.

Seguiu o Mundo o seu caminho,
seguiu a vida o seu destino
com momentos que não foram
e vozes que não se ouviram

e passou o prazo.

Silencio de gritos

Do longe chega o grito de alguém.
Lá ao longe. Muito longe.
Alguém que ainda acha que vale a pena gritar.
E o grito segue caminho
Mas não sabe o caminho.
E perde-se no espaço.

Porque são poucas as orelhas
e as que existem não servem para ouvir
apenas para enfeitar.
Não há sentido no grito.
Sem sentido, também não há caminho.
O grito seguiu o caminho que não há!

Finalmente, como é próprio dos gritos,
também este se transforma em silêncio.
Fica a noite, o nevoeiro
e o estranho silencio que os gritos produzem.





Nevoeiro

Engraçado, o nevoeiro. Quando a realidade se torna mais real e se percebe que nada é o que se pensa ou, pelo menos, pode não ser.

Hoje, aqui a olhar pela janela, os edifícios que costumo ver, parecem vestígios de memórias anteriores, que se esfumaram no tempo. 

E percebo, enfim, porque é que tempo é ao mesmo tempo, meteorologia e história!

Também momentos, pessoas, interações, são hoje apenas vestígios. 

Que ficaram por lá, no nevoeiro do tempo.


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