sexta-feira, 24 de junho de 2016

Irrealidades

Momentos em que o tempo seca,
o ar arde, a garganta enche-se de pó,
e os olhos não;

o tempo marca o fim,o adeus final,
o caminho que não tem retorno
e o sentir não sabe;

a lógica confere razão aos factos,
a dedução conclui e objectiviza
e o coração teima;

Momentos de uma eternidade estúpida,
momentos permanentemente ciclicos,
e a alma não percebe.

Tudo secou.
A desidratação ouve-se no estalar do universo,
e os olhos?

Os olhos imaginam que são fontes. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Rocha

Marcas de pés em areia mole
porque a água não chegou
ainda não chegou.
As marcas são de areia
e não de pés.

Sangue de pés na rocha nua.
porque a água não chegou.
Mas o sangue é dos pés:
rochas não sangram.

A dureza do Mundo tem uma escala
registada nas bíblias de quem manda
biblias guardadas na dimensão do sempre,
inacessível a quem passa
que apenas tem direito a descobrir.

E vem a água e lava.
lava e leva: areia e sangue.

A rocha...
 pertence a outra escala!





Com calma

Que seja mais forte a razão!
(por uma vez, ao menos...)
Que as estrelas não são mais que astros,
o sol, não é mais que estrela,
a lua...não passa de um planeta.
E a luz, não mais do que fotões em movimento.

Que seja mais forte a razão!
(por uma vez ao menos...)
E o valor seja dado ao raciocínio:
às observações esperimentações e conclusões.
Tão só.

Que seja mais forte a razão!
E que esmague sentimentos,
sensações, carinhos e outras merdas dessas.
E que não vacile!
E que não se vergue!

Que seja mais forte a razão,
que seja ela a determinar os actos.
E a estabelecer a paz,
uma paz de tranquilidade

contruida por vontade
e não pelo coração.

Que seja, pois, mais forte a razão,
que a alma!
Parta que eu te mande à merda,
mas...
                com calma!






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