segunda-feira, 4 de julho de 2016

rosto

Um rosto,
na memória que se sente.
Como se estivesse aqui ao lado
e pudesse ver
e pudesse ouvir.

Um rosto,
cujas formas se reconhecem de imediato
como se estivesse aqui
e visse
e ouvisse.

Um rosto?
Mas se não tem olhos nem ouvidos?

Um rosto que não está,
nem nunca esteve.
Um rosto de fazer de conta
um rosto a fingir!

Um rosto?

Talvez...
Lá longe no limite do horizonte da memória.

Qual rosto?
Vejo apenas fumo.



Terra queimada,
por dentro cinzas, por fora pó.
Passos que se arrastam na poeira
lentos, cansados, tristes.
Passos de pés que já morreram.

O sol ficou castanho,
já não brilha, apenas queima.
Das árvores,
só os troncos retorcidos teimaram em ficar.
Talvez só para enfeitar o vazio da terra.

Caminha-se, mas não há caminho!
Nem voltará a haver:
o movimento é aautomático,
como se fosse uma missão sem causa.

Não há ninguém,
pelo menos vivo.
os pés que dão os passos, não são de ninguém:
são pés a que cortaram os corpos.
mas que teimam em fazer o que sabem fazer.

Os pés caminham,
automaticamente
sem  razão nenhuma a não ser essa.

Levantando o pó.

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