Um rosto,
na memória que se sente.
Como se estivesse aqui ao lado
e pudesse ver
e pudesse ouvir.
Um rosto,
cujas formas se reconhecem de imediato
como se estivesse aqui
e visse
e ouvisse.
Um rosto?
Mas se não tem olhos nem ouvidos?
Um rosto que não está,
nem nunca esteve.
Um rosto de fazer de conta
um rosto a fingir!
Um rosto?
Talvez...
Lá longe no limite do horizonte da memória.
Qual rosto?
Vejo apenas fumo.
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Pó
Terra queimada,
por dentro cinzas, por fora pó.
Passos que se arrastam na poeira
lentos, cansados, tristes.
Passos de pés que já morreram.
O sol ficou castanho,
já não brilha, apenas queima.
Das árvores,
só os troncos retorcidos teimaram em ficar.
Talvez só para enfeitar o vazio da terra.
Caminha-se, mas não há caminho!
Nem voltará a haver:
o movimento é aautomático,
como se fosse uma missão sem causa.
Não há ninguém,
pelo menos vivo.
os pés que dão os passos, não são de ninguém:
são pés a que cortaram os corpos.
mas que teimam em fazer o que sabem fazer.
Os pés caminham,
automaticamente
sem razão nenhuma a não ser essa.
Levantando o pó.
por dentro cinzas, por fora pó.
Passos que se arrastam na poeira
lentos, cansados, tristes.
Passos de pés que já morreram.
O sol ficou castanho,
já não brilha, apenas queima.
Das árvores,
só os troncos retorcidos teimaram em ficar.
Talvez só para enfeitar o vazio da terra.
Caminha-se, mas não há caminho!
Nem voltará a haver:
o movimento é aautomático,
como se fosse uma missão sem causa.
Não há ninguém,
pelo menos vivo.
os pés que dão os passos, não são de ninguém:
são pés a que cortaram os corpos.
mas que teimam em fazer o que sabem fazer.
Os pés caminham,
automaticamente
sem razão nenhuma a não ser essa.
Levantando o pó.
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