Porém quando a mostrava a alguém, ninguém a achava assim tão bela.,
"Estúpidos", pensava o menino; "não percebem nada de flores!"
Os dias foram passando, os meses e o anos também, mas a flor dentro da caixinha permanecia ao lado do menino, sempre,
Um dia foi o dia da viagem. Para longe ia o menino, para terras distantes, e quis o acaso que, na confusão de malas e bagagens, deixasse a caixinha com a flor, esquecida, em casa.
O tempo da distância foram meses, em que, sempre ocupado a conhecer coisas novas, mundos diferentes, pessoas de outros modos e locais, o menino, apenas à noite, ao regressar ao tempo de si mesmo, recordava e sentia enormes saudades, da sua querida flor.
Mas depois, recomeçava a vida, e mais um dia se passava sem a poder de novo ter ali, a acompanhá-lo o que fazia que a saudade fosse ficando cada vez mais densa.
Até que chegou o dia do regresso.
De volta à sua terra, ao seu espaço, a primeira coisa que fez foi correr e procurar a flor, sentindo remorsos de a ter abandonado e ansioso por receber de novo aquela visão magnífica que sempre o tornava um pouco mais feliz, todas as vezes.
Lá estava a caixa. Ali mesmo, no lugar onde a sabia ter deixado. Olhou e parou. prolongando o tempo do prazer do saber que a ia ver de novo, tocar de novo, cheirar de novo, sentir, de novo.
Por fim, abriu a caixa.
Espreitou,
Lá dentro a flor.
Uma flor sem graça, descolorida, mal cheirosa, feia.
O menino ficou perturbado. Quem lhe teria trocado a flor tão bela que ele trazia sempre consigo, por aquela tão sem graça?
Ficou triste, muito triste, mesmo. Tão triste, que alguém que o viu assim, logo teimou em saber o que se passava.
E o menino explicou e mostrou a flor sem graça.
"Ouve lá, rapaz. Essa é precisamente a mesma flor que tu transportavas sempre contigo para todo o lado. É a mesma e está exatamente como sempre foi. Nunca ninguém, aliás, chegou perceber porque gostavas tanto dela!!!"
O menino tanbém deixou de perceber.