terça-feira, 31 de outubro de 2017

De meia tigela



Engoliram o passar do tempo
como se fosse um remédio amargo.
Sujeitaram-se ao inevitável
sofreram.
Sofrem.

Estômagos doridos,
nauseas permanentes,
cérebros inconformados, resilientes...
Acatam o presente, tem que ser
mas só
porque tem de ser.

A pressão sobe a cada dia, a cada hora
e, de repente,
o vapor sai.
E jorram!

Jorram da boca os impropérios,
atacam tudo e todos,
avidamente buscam as palavras mais porcas
e, em chorrilho, as declamam,
em concurso para ver quem consegue mais
quem descobre mais
quem destila mais
ódios incontidos dentro de palavras toscas
de fazer corar um carroceiro.

Não importa pensar, que não faz falta.
O que interessa mesmo é destilar!

Assim são eles,
os fascistazinhos de meia tigela
do facebook!





Resultado de imagem para NOITE SOBRE O MAR
Arrastando-se, pesadamente
cobrindo de sombras o espaço
carregando tragédias que não se sabem
turvando os tempos de futuro
moldando de esquinas e ângulos o espaço
criando peso. Muito peso.

Ireversível.
Imparável.
Inelutável.
Avança com razões que são só suas
recusando-se a ouvir razões diferentes.

O chão estremece, o tempo arrefece
o sol deixa de ter côr.
O azul do mar enche-se de negro
e em vez de peixes e algas,  tem naufrágios,
navios sem destino,
marinheiros sem navios

e corpos apodrecidos 
a boiar em ondas repugnantes.

A música é agora apenas o som de carpideiras
que exultam o aproximar do fim de cada um
(essa é a alegria do momento!)

Fecham-se então os olhos.
Que abertos o que veem é o mesmo... 

Não vale, pois, a pena.

Não vale mais a pena!








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