Arrastando-se, pesadamente
cobrindo de sombras o espaço
carregando tragédias que não se sabem
turvando os tempos de futuro
moldando de esquinas e ângulos o espaço
criando peso. Muito peso.
Ireversível.
Imparável.
Inelutável.
Avança com razões que são só suas
recusando-se a ouvir razões diferentes.
O chão estremece, o tempo arrefece
o sol deixa de ter côr.
O azul do mar enche-se de negro
e em vez de peixes e algas, tem naufrágios,
navios sem destino,
marinheiros sem navios
e corpos apodrecidos
a boiar em ondas repugnantes.
A música é agora apenas o som de carpideiras
que exultam o aproximar do fim de cada um
(essa é a alegria do momento!)
Fecham-se então os olhos.
Que abertos o que veem é o mesmo...
Não vale, pois, a pena.
Não vale mais a pena!
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