São soltas, estas palavras
não têm fio condutor.
Nascem à deriva de conexões erráticas de neurónios absurdos.
E por isso,
podem dizer hoje, ou dizer amanhã
falar de ontem ou dum espaço vago num tempo discutível.
Lançadas no nevoeiro da existência
(se é que existência existe...)
Elas percorrem caminhos invisíveis e inconcretos,
manifestando ausência de destino e de controlo.
Poderão, eventualmente, ir bater ao tímpano certo que as oiça
e que as encaminhe a um cérebro vigilante e astuto,
que as entenda.
Eu, cá por mim, garanto:
Não percebo nada do que dizem.
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Levis - de marca!
"Quem me descreveria com mais verdade, se ninguém me conhece melhor que eu próprio me conheço?"
-Erasmo
De pé, encostado a uma parede, ele observava.
Era uma mole imensa de cidadãos respeitáveis, caras vestidas de respeitabilidade, vestindo fatos de inspirar respeito, que se acotovelavam, arranhavam, empurravam, alguns já de rastos no chão, outros de joelhos, poluindo as suas roupas, que ainda há pouco estavam impecavelmente limpas e passadas a ferro. E gritavam, corriam, gemiam, barafustavam, para conseguirem apanhar algumas das notas que vinham caindo do alto do céu, sem aviso prévio e sem explicação plausível.
Ele, apenas observava e ouvia alguns dizerem, enquanto o olhavam, "espantadamente:"
"`Deve ser louco! Não sabe o valor que o dinheiro tem!"
Saiu dali.
Caminhou um pouco.
E sentiu por dentro, mas mesmo bem lá por dentro, um conforto estranho.
Como se estivesse leve, mais leve, cada vez mais leve, levitando sobre os pequenos nadas que transformam habitualmente as vidas em enormes pesadelos.
Foi então que se transformou em pássaro.
Utilidade do pente
Aí vai, uma história muito antiga, mas sempre actual.
"Era uma vez um rei que tinha três filhas e uma delas era careca.
Chegado o dia de aniversário desta última, o rei organizou enorme festa e ofereceu-lhe uma prenda - um pente.
Mas...se a filha era careca, porque lhe terá ele oferecido o pente?"
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Como se resolvem os grandes problemas
Era sempre e sempre, aquela maldita comichão no dedo!
E pôs pomadas e desinfectantes e lavou com sabão azul e branco e com sabonetes e com gel de banho desta, daquela e doutra marca e pôs betadine e antibiótico.
E sempre, sempre, aquela maldita comichão no dedo.
E pôs ervas caseiras e mezinhas de ervanária e produtos naturais e escondeu da luz do sol e expôs à luz do sol e submeteu ao frio e aqueceu ao fogo.
E sempre, sempre, aquela maldita comichão no dedo.
Até que tomou a decisão de resolver o problema.
(Pois não há problema sem resolução nem resolução sem problema, senão para quê uma resolução? E para quê o problema?)
Ah, agora sim. Tinha-se acabado.
Nunca mais aquela maldita comichão no dedo!
Ainda o podia ver, dentro do frasco, conservado em álcool, para recordação de tormentos passados.
Mas já não o sentia mais:
nem a ele nem àquela maldita comichão danada!
E pôs pomadas e desinfectantes e lavou com sabão azul e branco e com sabonetes e com gel de banho desta, daquela e doutra marca e pôs betadine e antibiótico.
E sempre, sempre, aquela maldita comichão no dedo.
E pôs ervas caseiras e mezinhas de ervanária e produtos naturais e escondeu da luz do sol e expôs à luz do sol e submeteu ao frio e aqueceu ao fogo.
E sempre, sempre, aquela maldita comichão no dedo.
Até que tomou a decisão de resolver o problema.
(Pois não há problema sem resolução nem resolução sem problema, senão para quê uma resolução? E para quê o problema?)
Ah, agora sim. Tinha-se acabado.
Nunca mais aquela maldita comichão no dedo!
Ainda o podia ver, dentro do frasco, conservado em álcool, para recordação de tormentos passados.
Mas já não o sentia mais:
nem a ele nem àquela maldita comichão danada!
Carneiros....
Oh pastor que choras
o teu rebanho onde está?
Deita as mágoas fora,
carneiros é o que mais há...
o teu rebanho onde está?
Deita as mágoas fora,
carneiros é o que mais há...
- José Gomes Ferreira
Desonestidade intelectual sistémica
Qualquer sistema social humano (considerando como sistema social humano um país, uma empresa, uma farmácia, uma escola), pode sofrer e frequentemente sofre, em alguma fase do seu desenvolvimento intrínseco, de DIS (desonestidade intelectual sistémica).
Importaria descobrir que "ingredientes" "precisamos" juntar para obter tal desidrato.
Há falta de melhores estudos sociológicos, atrevo-me aqui a propôr os seguintes:
1º Necessidade de "mostrar eficácia"
2º Existência de um poder institucional ou para-institucional com forte tendência centralizadora e não dialogante ou apenas aparentemente dialogante.
3º Sujeição da generalidade dos membros do sitema a penalizações determinadas pela ordem geral instituida pelo poder institucional ou para-institucional dominante, penas essas cuja visibilidade pode ser maior ou menor, mas que estão lá, mesmo se "nas entre-linhas" da visibilidade.
Isto é mais claro quando passamos à análise de situações concretas, cuja imagem que se segue penso ser um exemplo suficientemente demonstrativo.
Na era Stalin e na sua continuidade, a DIS na sociedade soviética de então, entre outros aspectos, traduzia-se pela irrealidade dos relatórios sectoriais das diversas vertentes económicas da sociedade, que, no entanto, correspondiam ao que se esperava dos relactores, pois, na verdade, se a "mensagem" fosse má a culpa era do "mensageiro".
E assim, as metas dos planos quinquenais (orçamentos do estado a 5 anos) eram sempre cumpridas e na maior parte dos casos ultrapassadas embora todos os envolvidos na cadeia de informação soubessem que a realidade não era correspondente.
Os planos quinquenais eram,ao fim e ao cabo, salvos por registos em papel, produzidos por uma cadeia de escribas controlados pelo sistema que lhes fazia claramente saber aquilo que lhes era incumbido registar.
A desonestidade intelectual sistémica pode decorrer ao longo de períodos mais ou menos longos, tanto na história das sociedade, como das empresas, instituições do estado, etc, etc.
Termina no dia em que a peneira deixa de vez de ser capaz de tapar o sol...
Importaria descobrir que "ingredientes" "precisamos" juntar para obter tal desidrato.
Há falta de melhores estudos sociológicos, atrevo-me aqui a propôr os seguintes:
1º Necessidade de "mostrar eficácia"
2º Existência de um poder institucional ou para-institucional com forte tendência centralizadora e não dialogante ou apenas aparentemente dialogante.
3º Sujeição da generalidade dos membros do sitema a penalizações determinadas pela ordem geral instituida pelo poder institucional ou para-institucional dominante, penas essas cuja visibilidade pode ser maior ou menor, mas que estão lá, mesmo se "nas entre-linhas" da visibilidade.
Isto é mais claro quando passamos à análise de situações concretas, cuja imagem que se segue penso ser um exemplo suficientemente demonstrativo.
Na era Stalin e na sua continuidade, a DIS na sociedade soviética de então, entre outros aspectos, traduzia-se pela irrealidade dos relatórios sectoriais das diversas vertentes económicas da sociedade, que, no entanto, correspondiam ao que se esperava dos relactores, pois, na verdade, se a "mensagem" fosse má a culpa era do "mensageiro".
E assim, as metas dos planos quinquenais (orçamentos do estado a 5 anos) eram sempre cumpridas e na maior parte dos casos ultrapassadas embora todos os envolvidos na cadeia de informação soubessem que a realidade não era correspondente.
Os planos quinquenais eram,ao fim e ao cabo, salvos por registos em papel, produzidos por uma cadeia de escribas controlados pelo sistema que lhes fazia claramente saber aquilo que lhes era incumbido registar.
A desonestidade intelectual sistémica pode decorrer ao longo de períodos mais ou menos longos, tanto na história das sociedade, como das empresas, instituições do estado, etc, etc.
Termina no dia em que a peneira deixa de vez de ser capaz de tapar o sol...
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