Era sempre e sempre, aquela maldita comichão no dedo!
E pôs pomadas e desinfectantes e lavou com sabão azul e branco e com sabonetes e com gel de banho desta, daquela e doutra marca e pôs betadine e antibiótico.
E sempre, sempre, aquela maldita comichão no dedo.
E pôs ervas caseiras e mezinhas de ervanária e produtos naturais e escondeu da luz do sol e expôs à luz do sol e submeteu ao frio e aqueceu ao fogo.
E sempre, sempre, aquela maldita comichão no dedo.
Até que tomou a decisão de resolver o problema.
(Pois não há problema sem resolução nem resolução sem problema, senão para quê uma resolução? E para quê o problema?)
Ah, agora sim. Tinha-se acabado.
Nunca mais aquela maldita comichão no dedo!
Ainda o podia ver, dentro do frasco, conservado em álcool, para recordação de tormentos passados.
Mas já não o sentia mais:
nem a ele nem àquela maldita comichão danada!

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