quarta-feira, 23 de maio de 2012

Terminar

Pesa-me o peso do nada
o fardo dorido da ausência
curva-me, verga.me,destrói-me
rasga-me mais que uma faca
quebra-me a noção do eu.

Este nada que é tsunami,
não vejo que vem, mas vem
sinto que vem sem o ver,
invade a minha consciência
corroí a própria existência
de mim.

Nada, ausência, que antecipo,
que sei que me vai matar....
Mas...
talvez não deixe, quem sabe?
Talvez me antecipe e me termine
antes do nada chegar!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Nada

Vem de manso, devagar,
não bate à porta,
entra sem barulho, rastejando,
inundando o espaço, esvaziando a alma.

Como se fosse um mar de afogamento
uma ânsia de travar o respirar,
uma dor que cresce, sem se fazer anunciar.

Toca um som que faz sofrer,
ao longe,na distância de se ouvir,
cresce o frio, a noite, o negro,
neste sentir sem aconchego.

O caminhos vira becos,
os horizontes, janelas
que se fecham de se abrir
no hã tempo não há vida
só há horas a cumprir.

Neste triste desencanto,
esgota-se o tempo da vida:
passa a vida em pouco tempo!
fica o nada
e fica o pranto.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ave

Ave de rapina com cara de elefante
Dinossauro de tempos que já vão
caminha pela sombra, triste e arrogante
arrastando palavras de comiseração.

Trànsporta consigo um excell mental
onde regista os outros, nunca a si
só sabe fazer contas de diminuir
é concentrado e sério: não se ri.

Veste a roupa da imortalidade,
julga vir do sempre e sempre cá ficar
Vivendo na ilusão da realidade

Um pequeno verme,translúcido,mesquinho
Criado só com o fim de incomodar!
Dá pena! É mesmo só um coitadinho...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ausência

Chega-me o eco
da tua ausência anunciada
como se fosse pedra da calçada
atirada contra mim
Perco o equilíbrio,
já não oiço, já não vejo,
fico surdo, fico cego,
sei que não sei viver assim.

Depois forço o pensamento,
faço com  que tudo seja ruído,
um absurdo feito de imaginação.
Concentro-me em viver no tempo
do instante.
Fazendo do futuro a negação.

Mas sei,
Ah! Isso sei,de certeza certa:
que se do anúncio se vier a fazer caso,
se do receio nascer a concretização,
descerá em mim a noite mais cerrada,
centrar-se-á em mim o total da escuridão
seguirei, caminhando,ao acaso
sem escolha, sem destino
                                        e sem opção.






terça-feira, 1 de maio de 2012

Senescente

Deslizando na entropia
do pensamento e do tempo
tudo está onde não é
tudo se move ao acaso
nada é o que se vê.

Esquizofrenia frenética
que não permite o pensar,
faz viver do imaginar:
em alucinação constante
que faz de guia ao presente.

Passam corpos,estrelas,astros, 
em órbitas aleatórias
as palavras  viram coisas,
os objetos  são palavras
-nada é realidade:
-é tudo fruto da mente.

E da mente em paranóia
jorram vinhos já vinagre,
em misturas de sabores
em que o doce sabe amargo,
em misturas de cores
onde o azul é vermelho.

Universo inexistente
construído ao acaso
do curto-circuito da mente.

Da mente senescente...











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