sábado, 22 de setembro de 2012

Já não há

Que se agitem as folhas, que a poeira suba no ar,
mas já não há vento!

Que a terra empape de água onde os pés se afundam,
mas já não há chuva!

Que a pele se escalde, avermelhe, arda, de tanta exposição,
mas já não há sol!

Que a noite tenha brilho, e contilem as folhas cobertas do orvalho,
mas não há mais luar!

Que cresçam os dias e as plantas e nós,
mas já não há vida!

Incertezas

Feitos de identidades, 
somos desconhecidas entidades.

A cortiça protege e esconde.
O que vemos, é só o que mostramos.
o "eu" de cada um,
está, não sabemos onde.

Por isso,  mesmo quando penso que te sei,
quando acho saber ler até nas entrelinhas,
há sempre lugar à incerteza. 
Tenho  só a certeza do que dei,
O que recebi , não sei se tinhas,
ou se imaginei.




Tempo

Neste tempo, noutro tempo, sem tempo, 
percorro o tempo estilo passatempo. 
Nem vejo o tempo a passar.

 E de repente um relógio estúpido mostra as horas.
 Vejo que ando a desoras. 
Neste tempo, passatempo. 
Então desaba sobre mim, como trovoada.
 Atinge-me, dói-me, magoa.
 É a dor do tempo já ter sido. 
Do tempo que eu quero de volta,
 mas que não volta. 

E volto ao passatempo 
de deixar passar o tempo
 sem tempo de sentir.

domingo, 9 de setembro de 2012

Imprescidível

Das estrelas, todas elas, és diferente,
Uma luz que aquece sem queimar,
uma chama que brilha, irreverente,
como se a Vida fosse de brincar.

Das vozes, todas elas, se distingue a tua,
Suave, firme, doce, quase irreal
Onde quer que se oiça, em casa ou na rua
Não se confunde, não há outra igual.

No Universo inteiro és irrepetível,
Não existe espelho que dê a tua imagem
Sem que a diferença não seja percetível.

Tens, pois, de fazer parte da viagem
que faço dia a dia. Imprescindível,
transporto-te sempre, comigo, na bagagem.
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