sábado, 5 de janeiro de 2013

Nevoeiro

Âncora içada, soltas as amarras,
vai-se afastando lentamente,
num nevoeiro de tempo, tão ausente.

Na beira do paredão do cais,
já debruçado, meio corpo sobre a água,
estico so braços, tento deitar a mão,
quase a cair no mar, da minha mágoa
que cresce por dentro da emoção.

O barco desliza, balanceia, não para
como se os barcos fossem feitos para ser livres!
Leva de mim mais do que me trouxe
depois de me trazer mais do que jamais tivera.

Progressivamente a neblina cresce,
já tudo mal se vê e mal se ouve.
Olho em frente e já não vejo o cais
e já nem sequer ouço qualquer som.
O tempo engoliu o mundo.
Sem mundo, já não pertenço ao tempo,

Apenas sentimento é o que sou.





Sem comentários:

Enviar um comentário

Comenta aqui!

poner un anuncio gratis