quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Palavra de mim

Quantas vezes olhei para o céu na esperança de o reconhecer. Na esperança que me enviasse pelo menos um sinal de que estava ali  e que me estava a ver e a acompanhar. Em especial no final dos dias, quando a escuridão pemite às estrelas acordarem, lembro-me bem de vir a descer do monte, com o rebanho à minha volta e olhar para cima, pensando que poderia ser esse o momento esolhido para descer até cá abaixo e vir  falar comigo, dar-me um beijo ou, simplesmente, mostrar-me o seu sorriso.
Nessa altura não percebia bem se seria um anjo ou um ser diferente de um mundo superior, mas acreditava firmemente que estava lá no alto a olhar por mim.
Levei muito tempo até perceber que aquela história estava mal contada...
E nunca sequer, mesmo quando me dei conta do embuste, tive coragem de confrontar a minha mãe com a realidade. O que ela deve ter passado, para precisar de inventar toda aquela história!
Imagino-a, agora, nesses anos, com o medo da culpa refletido na emoção, ao simplesmente imaginar apresentar-se naquele estado, aos olhos de todos. O que não diriam...
Ao mesmo tempo, a sua sensibilidade de mãe, não lhe permitia sequer pensar em levar a cabo a "solução radical", aquela que....não permitiria que eu hoje vos estivesse aqui a contar a minha história.
Compreendo, agora que os anos já me deram o dom da sabedoria, a enorme coragem que ela precisou para me apresentar aos olhos do mundo e para se apresentar a si, comigo ao colo e o José ao lado,  mantendo sempre a cabeça erguida!
Por isso lhe desculpo a história do tal anjo, do tal espírito santo e lhe desculpo os anos que passei à procura, lá no céu, de quem lá não estava...
Ao José, só tenho a agradecer todo o amor que foi capaz de me dar, sabendo bem o que sabia, e esperando que me desculpe de, quando criança, procurar na distância, o que tinha, afinal ali bem perto. Pois não é o sangue que constrói o laço, que se ata sim, mas de sentimento!
Obrigado mãe, por me teres querido manter vivo, e também pela capacidade que tiveste em convencer o mundo dessa fantástica historia que inventaste e que resultou.

O teu filho, J.C.


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