Eras a convicção do tipo sol.
Eu explico: não precisamos confirmar, porque sabemos de saber certo, que todas as manhãs ele lá está, mais à vista ou mais escondido, mas está. Lá em cima. Contamos pois com ele e com a sua luz.
No entanto, criamos convicções do tipo sol, relativamente a situações, coisas , pessoas, também.
Convicções que nascem de sentimentos. Mas sem real razão.
Sentimentos não são mais que marcas cerebrais, registos estranhamente gravados no pensar, sem nascimento certo, sem vida independente, sem existência material concreta.
Sendo pois assim as convicções geradas do sentimento e tendo este as caraterísticas anteriormente referidas, são elas portanto de natureza semelhante, sem substância real que lhes dê corpo.
Um longo tempo decorreu. Em espera.
Um longo tempo em que convictamente o ranger da porta, o tocar do telefone, a escuta da palavra rompendo o negro do silêncio, se adivinhava e se acreditava certa.
Mas nem ranger de porta, nem toque de telefone, nem palavra audível se materializaram.
Como se subitamente e com a mesma força de decepção e espanto, naquele dia o sol tivesse desistido de nascer.
Aprende-se.
Aprende-se sempre que se vive.
Mesmo quando o aprender é guardar como conhecimento a destruição do próprio conhecimento que se julgava ter.
E o pensamento fica então mais estéril, incapaz agora de parir novas convicções.
Pelo menos... convicções do tipo sol.
Sente-se a violência nas palavras. O desânimo nos dedos que teclam sem brio e sem fervor.
E fecha-se uma porta, mais uma, mais uma vez.
Talvez pela última vez.
Encerramos, amargamente, dolorosamente e para sempre, o capítulo perfeitamente idiota das convicções do tipo sol.
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