Era uma vez um cavalo. Vinha de longe, do lado de lá das estrelas, e vinha a trote, seguindo a estrada escura, apenas escassamente iluminada, por castiçais dispersos, ao longo da berma. Porque era escuro, aquele caminho, envolto em nevoeiro de tempos! Vinha só, sem ruído, com destino traçado - o planeta Terra. Isso é certo, porque é aqui que termina a estrada que não tem nem cruzamentos nem bifurcações.
Vinha para trazer uma mensagem? Vinha avisar alguém de alguma coisa?
Só sabemos que vinha por o termos visto a vir, mas não sabemos nós, nem ninguém mais sabe, ao que vinha.
Olhando agora para o longe, lá continua a estrada no meio da escuridão do nada, e as velas, dispersas junto às bermas. O cavalo, já não o vemos mais. Terá chegado ao seu destino? Para trás, ninguém o viu voltar, Terá chegado,pois, ou então terá sido engolido pelo nevoeiro do tempo ou pela escuridão da noite eterna, porque lá, onde passa aquela estrada, nunca ninguém alguma vez viu a luz do dia.
Esta Terra em que vivemos e que parece aberta ao universo inteiro, mergulha sim numa fantasia coletiva que faz a todos ver o que não há. Para lá desta Terra, só há aquela estrada, escura, enevoada, por onde vinha o cavalo, que de longe vinha, (tendo em conta o tempo que demorou sempre a caminhar na estrada), mas onde esse longe fica, não sabemos. Nunca sequer encontrámos o cavalo, não sabemos se chegou e mesmo que o tivéssemos encontrado ou o viermos a encontrar ainda, improvável será que nos diga alguma coisa, pois os cavalos não têm por hábito falar. Só pensam.
Mas se não falam, como poderia aquele cavalo trazer então uma mensagem? Não trazia nenhuma carta presa ao corpo, nenhum dispositivo armazenador de som ou de imagem. Ao que vinha, (ou veio) então?
Sem respostas, olhamos de novo a estrada negra que conduz a este planeta de ilusões. Virá de lá dos longes que não sabemos onde, mais alguém, mais alguma coisa?
Ou aquela estrada com castiçais dispersos que espalham uma luminosidade breve que não chega a ser luz, não servirá, afinal, para nada?
E aquelas velas acesa estarão lá porquê? E porque não se apagam? E quem as acendeu?
Abro o jornal - notícia de primeira página: "25 mortos em acidente na A1, na sequência de colisão de um autocarro de passageiros, com um cavalo. Testemunhas do acidente referem que o cavalo não sofreu danos, e prosseguiu o seu caminho, subindo em direção ao vento, tendo desaparecido misteriosamente passados breves minutos após o início da sua ascenção."
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