Já não sei do tempo,
há quanto foi
que dia
mas no meu pensar, (que teimosia)
não arreda pé por um momento
esse momento.
Passa a memória
de tanta coisa, de tanta história
que já não sei.
Apaga-se a lembrança, foge a recordação...
E , no entanto,
persiste no tempo a emoção.
Emoção feita tatuagem,
gravada na pele rasgada
com dor.
E não se extingue:
que a cada dia se acrescenta
ganhando mais vigor.
Não tem razão de ser,
nem para ser se acha razão.
Não é opção.
Talvez, apenas, obsessão.
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Não previsível
Aparece, ou não
fala ou não
responde ou não.
Sei lá.
Não decido o mundo, nem o fluir do acontecer.
O que Deus nos dá
o que deus nos tira:
impossível prever.
Será pois, como Ele quiser:
Ele, o Deus, que escolhemos ter.
fala ou não
responde ou não.
Sei lá.
Não decido o mundo, nem o fluir do acontecer.
O que Deus nos dá
o que deus nos tira:
impossível prever.
Será pois, como Ele quiser:
Ele, o Deus, que escolhemos ter.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Tranquilidade
Se fosse possível o silêncio,
total, completo.
Despido de cores e de paladares,
feito ausência de sentir.
Se fosse possível a invisibilidade.
total, completa,
sem deixar sombra ou rasto
feita buraco negro da visão.
Se fosse possível não saber,
não ler, não ver e não ouvir.
Nem sequer se imaginar
uma ausência total do conhecer.
Seria então possível,
talvez
tranquilidade.
total, completo.
Despido de cores e de paladares,
feito ausência de sentir.
Se fosse possível a invisibilidade.
total, completa,
sem deixar sombra ou rasto
feita buraco negro da visão.
Se fosse possível não saber,
não ler, não ver e não ouvir.
Nem sequer se imaginar
uma ausência total do conhecer.
Seria então possível,
talvez
tranquilidade.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Stress
Trepa pelas paredes, mas não sobe,
num trepar continuo que se arrasta
e ouvem-se as unhas a raspar
num som que mais do que ouvir, se sente,
e faz arrepiar.
Invade desde os pés e sobe,
mas persiste,
invadindo em contínuo.
Vem dos pés, trepa,
mas permanece nos pés enquanto trepa,
e não desiste.
Uma erupção teimosa que não cede
e alastra e queima.
E irrita o corpo e mais a mente
durante todo o dia, durante a noite toda,
e não se vai embora
teima.
Espera-se que, enfim expluda.
Mas não explode.
Prefere ser insidiosa e permanente.
destruindo em ciclos redundantes.
Sem que nunca sobre ela a noite caia,
indefinidamente.
num trepar continuo que se arrasta
e ouvem-se as unhas a raspar
num som que mais do que ouvir, se sente,
e faz arrepiar.
Invade desde os pés e sobe,
mas persiste,
invadindo em contínuo.
Vem dos pés, trepa,
mas permanece nos pés enquanto trepa,
e não desiste.
Uma erupção teimosa que não cede
e alastra e queima.
E irrita o corpo e mais a mente
durante todo o dia, durante a noite toda,
e não se vai embora
teima.
Espera-se que, enfim expluda.
Mas não explode.
Prefere ser insidiosa e permanente.
destruindo em ciclos redundantes.
Sem que nunca sobre ela a noite caia,
indefinidamente.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
asperger
Está na hora. Ele aí vem. Passo apressado, sabe ao que vem para onde deve ir e o caminho. Entra à minha frente, abranda no local onde sabe que devo ir buscar a chave e assim que pego a chave, continua até à porta e deixa um espaço para que eu possa abrir a porta, Abro a porta, ele entra, tira a mochila das costas tira o livro e os cadernos. Tudo previsto, tudo controlado.
E é então que eu estrago tudo fazendo uma pergunta: "então como está a tua namorada?"
Não estava previsto, não era suposto, não fazia parte da rotina. Na cara dele a desestabilização é total.
Já não fala, balbuceia até que consigo entender que me está a dizer que não tem namorada.
Digo-lhe então: ok, vou arranjar-te uma, espera aí e abro a porta fingindo que vou à procura...
Maior desestabilização. Toda assertividade da chegada se desfez.
Entramos então na matemática. essa sim é a rotina. É isso que está previsto.
E tudo volta à "normalidade"-
Asperger é assim. Há que saber lidar com ele.
E é então que eu estrago tudo fazendo uma pergunta: "então como está a tua namorada?"
Não estava previsto, não era suposto, não fazia parte da rotina. Na cara dele a desestabilização é total.
Já não fala, balbuceia até que consigo entender que me está a dizer que não tem namorada.
Digo-lhe então: ok, vou arranjar-te uma, espera aí e abro a porta fingindo que vou à procura...
Maior desestabilização. Toda assertividade da chegada se desfez.
Entramos então na matemática. essa sim é a rotina. É isso que está previsto.
E tudo volta à "normalidade"-
Asperger é assim. Há que saber lidar com ele.
Apenas
Rua, carros, árvores,
vozes, passos, sons,
desaparecem,esfumam.
Quando lá ao longe a tua voz
e me volto e estás.
Subitamente o vento para,
o mar agitado transforma-se num lago
e a mansidão do tempo inunda o espaço.
Depois o fluir das palavras faz o resto
naturalmente, sem esforço e sem pensar
ao correr do sabor e do olhar
ao ritmo do apetecer.
Não se descobre a pólvora,
não se inventa a roda,
não se constrói ideologia.
Apenas sinto o teu sentir,
que me importa mais do que o devir do mundo!
Apenas isso
apenas tanto
apenas tu.
vozes, passos, sons,
desaparecem,esfumam.
Quando lá ao longe a tua voz
e me volto e estás.
Subitamente o vento para,
o mar agitado transforma-se num lago
e a mansidão do tempo inunda o espaço.
Depois o fluir das palavras faz o resto
naturalmente, sem esforço e sem pensar
ao correr do sabor e do olhar
ao ritmo do apetecer.
Não se descobre a pólvora,
não se inventa a roda,
não se constrói ideologia.
Apenas sinto o teu sentir,
que me importa mais do que o devir do mundo!
Apenas isso
apenas tanto
apenas tu.
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