terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Obsessão

Já não sei do tempo,
há quanto foi
que dia
mas no meu pensar, (que teimosia)
não arreda pé por um momento
esse momento.

 Passa a memória
de tanta coisa, de tanta história
que já não sei.
Apaga-se a lembrança, foge a recordação...
E , no entanto,
persiste no tempo a emoção.

Emoção feita tatuagem,
gravada na pele rasgada
com dor.
E não se extingue:
que a cada dia se acrescenta 
ganhando mais vigor.

Não tem razão de ser,
nem para ser se acha razão.
Não é opção.

Talvez, apenas, obsessão.







sábado, 16 de fevereiro de 2013

Não previsível

Aparece, ou não
fala ou não
responde ou não.

Sei lá.
Não decido o mundo, nem o fluir do acontecer.
O que Deus nos dá
o que deus nos tira:
impossível prever.

Será pois, como Ele quiser:
Ele, o Deus, que escolhemos ter.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Tranquilidade

Se fosse possível o silêncio,
total, completo.
Despido de cores e de paladares,
feito ausência de sentir.

Se fosse possível a invisibilidade.
total, completa,
sem deixar sombra ou rasto
feita buraco negro da visão.

Se fosse possível não saber,
não ler, não ver e não ouvir.
Nem sequer se imaginar
uma ausência total do conhecer.

Seria então possível,
talvez
tranquilidade.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Stress

Trepa pelas paredes, mas não sobe,
num trepar continuo que se arrasta
e ouvem-se as unhas a raspar
num som que mais do que ouvir, se sente,
e faz arrepiar.

Invade desde os pés e sobe,
mas persiste,
invadindo em contínuo.
Vem dos pés, trepa,
mas permanece nos pés enquanto trepa,
e não desiste.

Uma erupção teimosa que não cede
e alastra e queima.
E irrita o corpo e mais a mente
durante todo o dia,  durante a noite toda,
e não se vai embora
teima.

Espera-se que, enfim expluda.
Mas não explode.
Prefere ser insidiosa e permanente.
destruindo em ciclos redundantes.
Sem que nunca sobre ela a noite caia,

indefinidamente.





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

asperger

Está  na hora. Ele aí vem. Passo apressado, sabe ao que vem para onde deve ir e o caminho. Entra à minha frente, abranda no local onde sabe que devo ir buscar a chave e assim que pego a chave, continua até à porta e deixa um espaço para que eu possa abrir a porta, Abro a porta, ele entra, tira a mochila das costas tira o livro e os cadernos. Tudo previsto, tudo controlado.
E é então que eu estrago tudo fazendo uma pergunta: "então como está a tua namorada?"
Não estava previsto, não era suposto, não fazia parte da rotina. Na cara dele a desestabilização é total.
Já não fala, balbuceia até que consigo entender que me está a dizer que não tem namorada.
Digo-lhe então: ok, vou arranjar-te uma, espera aí e abro a porta fingindo que vou à procura...
Maior desestabilização. Toda assertividade da chegada se desfez.
Entramos então na matemática. essa sim é a rotina. É isso que está previsto.
E tudo volta à "normalidade"-

Asperger é assim. Há que saber lidar com ele.

Apenas

Rua, carros, árvores,
vozes, passos, sons,
desaparecem,esfumam.

Quando lá ao longe a tua voz
e me volto e estás.

Subitamente o vento para,
o mar agitado transforma-se num lago
e a mansidão do tempo inunda o espaço.

Depois o fluir das palavras faz o resto
naturalmente, sem esforço e sem pensar
ao correr do sabor e do olhar
ao ritmo do apetecer.

Não se descobre a pólvora,
não se inventa a roda,
não se constrói ideologia.

Apenas sinto o teu sentir,
que me importa mais do que o devir do mundo!

Apenas isso
apenas tanto
apenas tu.
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