Sem ordem
tal com ondas do mar desordenadas,
ideias surgem, desconectadas,
jorram em torrentes descontroladas
e misturam-se descoordenadas.
Vêm de tantas direções
alteram de sentido
chegam e seguem, sem interrupções
numa intranquilidade de espermatozóides.
Não as controlo
nem as chego a perceber.
Mal chegam não ficam, não têm tempo pra perder
Nem são bem ideias...
São mais... ejaculações.
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
domingo, 31 de março de 2013
Subida ao consciente
Saltas do sonho:
do inconsciente, num pulo, sobes à tona
e eu acordo
sem saber porquê, primeiro,
percebendo logo a seguir, que é para te saudar.
Saudar, saudade...
Saudade de te saudar, mesmo em pensamento.
Na lonjura que parece eternidade.
Saudar - saúde, que o estares aqui provoca em sentimento.
Subiste pois e estás aqui, no real consciente,
quase tocável, quase existente,
neste espaço tão enorme do sentir.
Fixe.
Fizeste bem em vir!
do inconsciente, num pulo, sobes à tona
e eu acordo
sem saber porquê, primeiro,
percebendo logo a seguir, que é para te saudar.
Saudar, saudade...
Saudade de te saudar, mesmo em pensamento.
Na lonjura que parece eternidade.
Saudar - saúde, que o estares aqui provoca em sentimento.
Subiste pois e estás aqui, no real consciente,
quase tocável, quase existente,
neste espaço tão enorme do sentir.
Fixe.
Fizeste bem em vir!
sábado, 23 de março de 2013
Os peixes
Foi numa noite igual a esta. Uma noite sem luar, em que os cantos das
cigarras e dos grilos, o tocar dos sinos, ao longe, as estrelas a brihar em
cima, tornavam tão suave o passar das horas.
Mas claro que não há, de facto, noites iguais. Da mesma forma que não há
nem pessoas, nem animais, nem plantas, nem rochas iguais. Apenas nos parecem iguais, pela falta de
empenho em observá-las.
Nessa noite, igual e diferente de todas as outras, aconteceu o
inimaginável. Do leito da ribeira que se faz esconder das vistas, pelas folhas
e ramos das árvores que trepam pelas encostas que a enformam, um peixe saltou
para fora de água. E logo a seguir outro e depois mais outro, de forma que, em
escasso tempo, centenas de peixes tinham saído da água da ribeira e iniciado,
em simultâneo, uma aventura coletiva
terrestre. E isto porque conseguiram começar a respirar o ar gasoso, as
barbatanas ventrais, viraram patas, com garras nas extremidades,
permitindo-lhes assim novas caminhadas por locais que nem imaginavam existir.
Como aconteceu e porquê? Vá se lá saber...
Dirão uns que foi um acaso da
genétca, outros descobrirão ali a mão do Criador, outros dirão que é a vontade
que domina o corpo, e que a ânsia de se libertarem do fluido existencial,
ganhou tão forte energia transformadora , que impôs ao corpo a criação de novas
aptidões - ou seja, uma transformação psicossomática.
Fosse lá porque razão fosse, a verdade
é que mal puseram barabatanas em terra firme, os peixes iniciaram a sua
caminhada, que, não passou desapercebida a
um rapaz da aldeia ali ao lado, que, ao passar de manhã junto à ribeira,
se deparou com o extarordinário caso de ver centenas e centenas de peixes fora
de água, mas vivos e bem vivos, caminhando em terra, e trepando aos troncos das
árvores, numa estranha ânsia de ascender, como se o simples visualizar do céu,
os impelisse a caminhar para cima, sempre para cima.
Ficar calado é próprio dos peixes, que não falam, mas não dum ser
humano. E assim foi que de imediato correu este rapaz à sua aldeia a contar o
que acabara de ver. O difícil foi fazer que acreditassem nele. Chamaram-lhe,
pois, grande mentiroso, disseram-lhe que se embebedava logo de manhã, sabemos
lá nós, que mais lhe terão dito!
Acreditar seja em quem for, é
sempre tão difícil, até mesmo nas situações mais simples, quanto mais num caso
como aquele. Acreditar implica confiança e confiar é um risco que pode ter um
preço que o mais das vezes não se quer pagar.
E foi por isso que uma delegação de gentes respeitáveis lá da aldeia, se
decidiiu a acompanhar o moço, pois de outra forma não havia meio de o fazer
calar.
E logo a seguir foram os jornais, as entrevistas, as notícias, que colocaram
aquela aldeiazita com nome nos mapas. O caso estava mais que confirmado. O caso
estava mais que divulgado.
Foi a partir dessa noite memorável, que os hábitos das pessoas se
alteraram, já que, a zona da ribeira rapidamente se transformou em local de
romaria de fim de semana, para todos os moradores das aldeias da região. E era
vê-los, logo pela manhã, a caminharem quais romeiros pelos caminhos da encosta,
cesta do farnel e garrafão de vinho, mantas para colocar no chão, enfim, tudo o
necessário para um dia bem passado.
E foi assim que, num desses fins de semana, alguém que já perdeu o nome
devido ao tempo que se encarregou de o apagar dos registos das memórias vãs, se
lembrou de, enquanto assava um chouriço na fogueira, deitar a mão a um dos
peixes que trepava por uma árvore logo ali ao seu lado, e colocá-lo na grelha,
ao lado do dito chouriço. Estranho, de facto, era não ter havido ainda alguém
com a mesma ideia...
Assada que estava a criatura, foi dividida em pedacinhos pela família e
amigos. Um espanto! Esquecendo o pormenor das patas, em tudo o mais um peixe
como os outros, e fresquinho, pois acabado de "ser pescado" da
árvore!
Mais dois fins de semana, bastaram.
Dois fins de semana de matança e festim, foram o suficiente para que não
sobrevivesse nem sequer uma única daquelas estranhas criaturas.
Mas também nunca mais se voltou a repetir o estranho fenómeno daquela
noite aparentemente igual a tantas outras.
Há quem diga que a razão de nunca outra vez tal transformação ter
acontecido, está na aprendizagem:
- os peixes aprenderam que, o ser diferente, mesmo no caso dum simples
peixe, pode ter como custo a sobrevivência.
terça-feira, 19 de março de 2013
Paredes
Saem vozes de dentro das paredes
que eu oiço e não entendo
gritos, choros, raivas, deseperos, preces
sons do além que não desvendo.
Vidas passadas presas em cimento
em tijolos dum tempo que já passado
chegam até mim em pensamento
mas sen que eu entenda o seu significado.
Casas sinistras, feitas de pecados
recheadas de mortos conservados.
Vozes, sensações, vivências de desnterrados.
que eu oiço e não entendo
gritos, choros, raivas, deseperos, preces
sons do além que não desvendo.
Vidas passadas presas em cimento
em tijolos dum tempo que já passado
chegam até mim em pensamento
mas sen que eu entenda o seu significado.
Casas sinistras, feitas de pecados
recheadas de mortos conservados.
Vozes, sensações, vivências de desnterrados.
Amanhecer
Que digo, que te faça?
Se nem a mim eu sei fazer...
Que dizer para inverter uma desgraça,
se palavras não constroem o viver...
Invento frases que quero sejam mensagem
que saem perfeitas na gramática,
mas sem alma, não aquecen a friagem
não são mais que uma intenção simpática.
Que digo, que te faça?
Nada sei pra te dizer!
Mas sei que o tempo passa
e cada dia há um amanhecer.
Se nem a mim eu sei fazer...
Que dizer para inverter uma desgraça,
se palavras não constroem o viver...
Invento frases que quero sejam mensagem
que saem perfeitas na gramática,
mas sem alma, não aquecen a friagem
não são mais que uma intenção simpática.
Que digo, que te faça?
Nada sei pra te dizer!
Mas sei que o tempo passa
e cada dia há um amanhecer.
Almas
Almas sem rumo,
deambulando em corpos com tarefas sem sentido
em direção a um futuro desconhecido
pensamentos em desaprumo.
Dias que se esperam
mas que vêm sempre iguais,
tirando as noites de improváveis bacanais
mas que na essência nada alteram.
Lágrimas que não caem por vergonha
que se engolem por dentro
em sofrimento
de quem já não sonha.
Houvesse Deus, hovesse a esperança:
o vinho viraria esquecimento,
a morte jamais um pensamento.
deambulando em corpos com tarefas sem sentido
em direção a um futuro desconhecido
pensamentos em desaprumo.
Dias que se esperam
mas que vêm sempre iguais,
tirando as noites de improváveis bacanais
mas que na essência nada alteram.
Lágrimas que não caem por vergonha
que se engolem por dentro
em sofrimento
de quem já não sonha.
Houvesse Deus, hovesse a esperança:
o vinho viraria esquecimento,
a morte jamais um pensamento.
terça-feira, 5 de março de 2013
Sem norte
Perdido o norte
a estrada se faz curva,
cruzamento - escolha à sorte,
quase sempre sem sorte
destino sem promessa
fugindo à pressa
da vida que é como a morte.
Guincho, choro, desespero
incompreesnsão de ser
ser o quê e ser pra quê?
Numa feira de gente que se encontra
mas em que não se encontra nem revê.
Talve, quem, sabe
encontre um dia a lua
e nela montado
percorra o firmamento.
e lá, num lugar qualquer que não se sabe
surja, porventura, aquele momento
aquele instante tão sagrado
em que finalmente encontre.
E depois esqueça.
Enfim, reencontrado.
a estrada se faz curva,
cruzamento - escolha à sorte,
quase sempre sem sorte
destino sem promessa
fugindo à pressa
da vida que é como a morte.
Guincho, choro, desespero
incompreesnsão de ser
ser o quê e ser pra quê?
Numa feira de gente que se encontra
mas em que não se encontra nem revê.
Talve, quem, sabe
encontre um dia a lua
e nela montado
percorra o firmamento.
e lá, num lugar qualquer que não se sabe
surja, porventura, aquele momento
aquele instante tão sagrado
em que finalmente encontre.
E depois esqueça.
Enfim, reencontrado.
domingo, 3 de março de 2013
Perdendo o comboio da história
Que o PS não tenha declarado publicamente o seu apoio á manifestação de hoje, é compreensível: o PS assinou o pacto com a troika, o PS irá fazer a mesma política que está a fazer o PSD, se voltar a ser governo. Nada a estranhar.
Mas e a esquerda?
Como explicar a invisibilidade tanto do BE como do PCP nas manifestaçoes do dia de hoje?
Tese oficial: o movimento é unitário, autónomo, não convém que se façam conotações com este ou aquele partido, pois isso poderia tirar-lhes força.
Um verddeiro absurdo. Ou melhor, um completo disparate sobre múltiplos aspetos. Ao correr da pena, vou explicitar alguns:
-Clareza- se há coisa que os portugueses reclamam hoje dos políticos é clareza e honestidade. Esconder-se, não dar a cara, não dizer claramente se se apoia ou não, se se incentiva ou não, é contribuir para dar razão aos que dizem que os politicos são todos iguais - não falam verdade às pessoas.
-Capitalização política- como pode um partido querer capitalizar em ganhos de votação e portanto em perspetiva futura de conduzir ou influenciar na condução das vontades, se se põe à margem dos acontecimentos mais marcantes do desnvolvimento da luta de massas na rua?
Oportunismo- direi que afinal apoiei se correr bem e me der jeito, reservarei a minha posição,se "der para o torto". O oportunismo nunca tem ganhos no médio longo prazo.
Incoerência: - dizer que se defende o marxismo.leninismo e ao mesmo tempo esquecer ideias fundamentais de Lenin????
Passo a citar: " "Não nos isolemos do povo revolucionário, mas submetamo-nos a seu veredicto cada um de nossos passos, cada uma das nossas decisões, apoiamo-nos por inteiro, e exclusivamente, na livre iniciativa que emana das próprias massas trabalhadoras".-V.I Lenin
e ainda: (observação cheia de ironia que ause pqrece referir-se aos acontecimentos de hoje:
" "Nós, dirigentes do proletariado social-democrata,( assim se designava o partido comunista na época) nos comportámos como aquele chefe militar que havia disposto seus regimentos de um modo tão absurdo que a maior parte de nossas tropas não participou ativamente da batalha."
E citando, agora, Augusto Cesar Buonicore: "Lênin compreendia o Partido como um instrumento à serviço da revolução socialista e não como um fim em si mesmo. O desenvolvimento das formas organizativas está intimamente ligado com o desenvolvimento dos processos revolucionários na Rússia. O partido deve se adaptar ao processo revolucionário e não a revolução ao partido. Portanto não existe, a priore, um modelo único de organização leninista. O que existem são alguns princípios gerais que poderíamos, a grosso modo, definir: um partido de vanguarda vinculado organicamente com a luta do proletariado, um partido comprometido com a ruptura em relação a ordem capitalista e com a conquista do poder político para os trabalhadores.Nesta nova fase de luta pelo socialismo, no início do século XXI, é preciso que repensemos coletivamente a forma-partido e sua relação com os movimentos sociais. Neste sentido Lênin pode nos oferecer pistas preciosas mas não pode responder por nós, pois estes é o nosso problema e não o dele. "
* Augusto César Buonicore, Historiador, doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp, membro do Comitê Estadual de São Paulo, do Comitê Central do PCdoB e do Conselho de Redação das revistas Debate Sindical e Princípios.
Não sei se Augusto Cesar tem razão ou se não tem. Também não sei se as teses leninistas fazem ainda sentido ou não.
Mas sei que quem se afrima leninista e na prática "faz tudo acontrário" j´só éleninista "pra fazer de conta que mantem a tradição"!
Venham depois criar manifestações "organizadas" a apoiá-las.
Cuidado. Muito cuidado, não vá acontecer que elas depois não tenham lá ninguém para além dos próprios organizadores....
Mas e a esquerda?
Como explicar a invisibilidade tanto do BE como do PCP nas manifestaçoes do dia de hoje?
Tese oficial: o movimento é unitário, autónomo, não convém que se façam conotações com este ou aquele partido, pois isso poderia tirar-lhes força.
Um verddeiro absurdo. Ou melhor, um completo disparate sobre múltiplos aspetos. Ao correr da pena, vou explicitar alguns:
-Clareza- se há coisa que os portugueses reclamam hoje dos políticos é clareza e honestidade. Esconder-se, não dar a cara, não dizer claramente se se apoia ou não, se se incentiva ou não, é contribuir para dar razão aos que dizem que os politicos são todos iguais - não falam verdade às pessoas.
-Capitalização política- como pode um partido querer capitalizar em ganhos de votação e portanto em perspetiva futura de conduzir ou influenciar na condução das vontades, se se põe à margem dos acontecimentos mais marcantes do desnvolvimento da luta de massas na rua?
Oportunismo- direi que afinal apoiei se correr bem e me der jeito, reservarei a minha posição,se "der para o torto". O oportunismo nunca tem ganhos no médio longo prazo.
Incoerência: - dizer que se defende o marxismo.leninismo e ao mesmo tempo esquecer ideias fundamentais de Lenin????
Passo a citar: " "Não nos isolemos do povo revolucionário, mas submetamo-nos a seu veredicto cada um de nossos passos, cada uma das nossas decisões, apoiamo-nos por inteiro, e exclusivamente, na livre iniciativa que emana das próprias massas trabalhadoras".-V.I Lenin
e ainda: (observação cheia de ironia que ause pqrece referir-se aos acontecimentos de hoje:
" "Nós, dirigentes do proletariado social-democrata,( assim se designava o partido comunista na época) nos comportámos como aquele chefe militar que havia disposto seus regimentos de um modo tão absurdo que a maior parte de nossas tropas não participou ativamente da batalha."
E citando, agora, Augusto Cesar Buonicore: "Lênin compreendia o Partido como um instrumento à serviço da revolução socialista e não como um fim em si mesmo. O desenvolvimento das formas organizativas está intimamente ligado com o desenvolvimento dos processos revolucionários na Rússia. O partido deve se adaptar ao processo revolucionário e não a revolução ao partido. Portanto não existe, a priore, um modelo único de organização leninista. O que existem são alguns princípios gerais que poderíamos, a grosso modo, definir: um partido de vanguarda vinculado organicamente com a luta do proletariado, um partido comprometido com a ruptura em relação a ordem capitalista e com a conquista do poder político para os trabalhadores.Nesta nova fase de luta pelo socialismo, no início do século XXI, é preciso que repensemos coletivamente a forma-partido e sua relação com os movimentos sociais. Neste sentido Lênin pode nos oferecer pistas preciosas mas não pode responder por nós, pois estes é o nosso problema e não o dele. "
* Augusto César Buonicore, Historiador, doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp, membro do Comitê Estadual de São Paulo, do Comitê Central do PCdoB e do Conselho de Redação das revistas Debate Sindical e Princípios.
Não sei se Augusto Cesar tem razão ou se não tem. Também não sei se as teses leninistas fazem ainda sentido ou não.
Mas sei que quem se afrima leninista e na prática "faz tudo acontrário" j´só éleninista "pra fazer de conta que mantem a tradição"!
Venham depois criar manifestações "organizadas" a apoiá-las.
Cuidado. Muito cuidado, não vá acontecer que elas depois não tenham lá ninguém para além dos próprios organizadores....
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