Que o PS não tenha declarado publicamente o seu apoio á manifestação de hoje, é compreensível: o PS assinou o pacto com a troika, o PS irá fazer a mesma política que está a fazer o PSD, se voltar a ser governo. Nada a estranhar.
Mas e a esquerda?
Como explicar a invisibilidade tanto do BE como do PCP nas manifestaçoes do dia de hoje?
Tese oficial: o movimento é unitário, autónomo, não convém que se façam conotações com este ou aquele partido, pois isso poderia tirar-lhes força.
Um verddeiro absurdo. Ou melhor, um completo disparate sobre múltiplos aspetos. Ao correr da pena, vou explicitar alguns:
-Clareza- se há coisa que os portugueses reclamam hoje dos políticos é clareza e honestidade. Esconder-se, não dar a cara, não dizer claramente se se apoia ou não, se se incentiva ou não, é contribuir para dar razão aos que dizem que os politicos são todos iguais - não falam verdade às pessoas.
-Capitalização política- como pode um partido querer capitalizar em ganhos de votação e portanto em perspetiva futura de conduzir ou influenciar na condução das vontades, se se põe à margem dos acontecimentos mais marcantes do desnvolvimento da luta de massas na rua?
Oportunismo- direi que afinal apoiei se correr bem e me der jeito, reservarei a minha posição,se "der para o torto". O oportunismo nunca tem ganhos no médio longo prazo.
Incoerência: - dizer que se defende o marxismo.leninismo e ao mesmo tempo esquecer ideias fundamentais de Lenin????
Passo a citar: " "Não nos isolemos do povo revolucionário, mas submetamo-nos a seu veredicto
cada um de nossos passos, cada uma das nossas decisões, apoiamo-nos por inteiro,
e exclusivamente, na livre iniciativa que emana das próprias massas
trabalhadoras".-V.I Lenin
e ainda: (observação cheia de ironia que ause pqrece referir-se aos acontecimentos de hoje:
" "Nós, dirigentes do proletariado social-democrata,( assim se designava o partido comunista na época) nos comportámos como aquele
chefe militar que havia disposto seus regimentos de um modo tão absurdo que a
maior parte de nossas tropas não participou ativamente da batalha."
E citando, agora, Augusto Cesar Buonicore: "Lênin compreendia o Partido como um instrumento à serviço da revolução socialista e não como um fim em si mesmo. O desenvolvimento das formas organizativas está intimamente ligado com o desenvolvimento dos processos revolucionários na Rússia. O partido deve se adaptar ao processo revolucionário e não a revolução ao partido. Portanto não existe, a priore, um modelo único de organização leninista. O que existem são alguns princípios gerais que poderíamos, a grosso modo, definir: um partido de vanguarda vinculado organicamente com a luta do proletariado, um partido comprometido com a ruptura em relação a ordem capitalista e com a conquista do poder político para os trabalhadores.Nesta nova fase de luta pelo socialismo, no início do século XXI, é preciso que repensemos coletivamente a forma-partido e sua relação com os movimentos sociais. Neste sentido Lênin pode nos oferecer pistas preciosas mas não pode responder por nós, pois estes é o nosso problema e não o dele. "
* Augusto César Buonicore, Historiador, doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp, membro do Comitê Estadual de São Paulo, do Comitê Central do PCdoB e do Conselho de Redação das revistas Debate Sindical e Princípios.
Não sei se Augusto Cesar tem razão ou se não tem. Também não sei se as teses leninistas fazem ainda sentido ou não.
Mas sei que quem se afrima leninista e na prática "faz tudo acontrário" j´só éleninista "pra fazer de conta que mantem a tradição"!
Venham depois criar manifestações "organizadas" a apoiá-las.
Cuidado. Muito cuidado, não vá acontecer que elas depois não tenham lá ninguém para além dos próprios organizadores....
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