Lá longe...
Se lá vem ou não
na distância em que a vista já não vê
e o prever é falso.
Lá longe,
ao fundo da noite, no caminho estreito
sem espaço , sem ar, sem vida.
Se lá vem ou não
não sei.
Lá longe,
num futuro desfeito de esperança.
feito de desconfiança
de insegurança
Lá longe,
onde não sei quem está
não sei quem vem
nem sei quem sou.
Lá longe!
Porque perto também não.
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
domingo, 27 de outubro de 2013
Em vão
Posso agora ficar
em vão
aqui o resto deste tempo
em vão
à espera, em espera, sem esperança
em vão
A noite toda e depois o dia todo
em vão
a olhar para o nada
à espera de alguma coisa
em vão
sem que o som me chegeue ou a imagem ou o sentir
em vão
aqui sentado com redobrada atenção
em vão
até que o tempo acabe
o mundo acabe
a vida acabe
em vão
em vão
aqui o resto deste tempo
em vão
à espera, em espera, sem esperança
em vão
A noite toda e depois o dia todo
em vão
a olhar para o nada
à espera de alguma coisa
em vão
sem que o som me chegeue ou a imagem ou o sentir
em vão
aqui sentado com redobrada atenção
em vão
até que o tempo acabe
o mundo acabe
a vida acabe
em vão
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O quê?
Mesmo aqui ao lado. Só esticar o braço, abrir a mão!
Lá tão longe que a distância custa tanto a fazer perto.
Aqui e além.
Não é mais fácil o aqui
que justifique o difícil do longe:
aqui ao lado e não se chega,
lá tão longe e não se vai.
Não é o espaço que separa
a lonjura não é sequer matéria.
Será então o quê
que transforma em pensamento
o que em pensamento não passa de ilusão?
Lá tão longe que a distância custa tanto a fazer perto.
Aqui e além.
Não é mais fácil o aqui
que justifique o difícil do longe:
aqui ao lado e não se chega,
lá tão longe e não se vai.
Não é o espaço que separa
a lonjura não é sequer matéria.
Será então o quê
que transforma em pensamento
o que em pensamento não passa de ilusão?
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Vagamente
Horas vagas
de indecisões feitas raízes de hera
galopando paredes velhas acima
sem fim e sem destino.
Horas vagas
em que a vontade é fumo
e em que o fumo é nada.
E em que o nada é tudo.
Horas vagas,
sem que um telefone se lembre de tocar,
sem que uma voz se lembre de dizer,
sem que um deus qualquer
sequer se lembre de existir.
Vagamente estas horas são tempo
que vagamente
se sente a decorrer.
de indecisões feitas raízes de hera
galopando paredes velhas acima
sem fim e sem destino.
Horas vagas
em que a vontade é fumo
e em que o fumo é nada.
E em que o nada é tudo.
Horas vagas,
sem que um telefone se lembre de tocar,
sem que uma voz se lembre de dizer,
sem que um deus qualquer
sequer se lembre de existir.
Vagamente estas horas são tempo
que vagamente
se sente a decorrer.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Tempestade
Partiu o navio do cais da Matinha e lá vou eu. Sentado no meio de tantos, expectantes, ansiosos, exultantes.
Para onde seguimos?
Navegamos nem chega a meia hora e o barco entra noutro cais a receber mais viajantes, agora o cais da doca pesca. E ali vai estar por mais 45 minutos.
Enquanto isso o comandante fala aos passageiros e conta sobre a rota que iremos fazer.
Esta paragem, dá-me para sair e "esticar as pernas". Saio e encontro, no meio de tanta gente, uma pessoa que conheço, mas só está ali para se despedir da filha, que essa sim, segue viagem.
E nesta confusão de gente, num instante improvável, mas com a profundidade do mar inteiro, com a fúria da maior onde que alguma vez existiu em todo o oceano que se conhece, recebo um golpe que me atinge e me atira de onde estou para outro espaço: um tremendo golpe de saudade.
Levanto-me então, fumo um cigarro.
E fico à espera que "o mar" acalme.
Para onde seguimos?
Navegamos nem chega a meia hora e o barco entra noutro cais a receber mais viajantes, agora o cais da doca pesca. E ali vai estar por mais 45 minutos.
Enquanto isso o comandante fala aos passageiros e conta sobre a rota que iremos fazer.
Esta paragem, dá-me para sair e "esticar as pernas". Saio e encontro, no meio de tanta gente, uma pessoa que conheço, mas só está ali para se despedir da filha, que essa sim, segue viagem.
E nesta confusão de gente, num instante improvável, mas com a profundidade do mar inteiro, com a fúria da maior onde que alguma vez existiu em todo o oceano que se conhece, recebo um golpe que me atinge e me atira de onde estou para outro espaço: um tremendo golpe de saudade.
Levanto-me então, fumo um cigarro.
E fico à espera que "o mar" acalme.
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