Daquele mar veio uma onda
e naquela onde veio o mar
que trouxe a água
e trouxe o sal
e trouxe
o que eu não sei
e que guardei.
Não é mar nem onda
e não é água nem é sal
e é enorme:
tão grande que não cabe
nem sequer
na onda que o transportou!
Por isso o guardo
numa sala da dimensão do oceano
e que não tem porta nem janela.
Sabendo que não sei o que será,
sei, porém, que daqui não sairá.
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Pro Verbum
Não escrevo.
Liberto palavras.
Que se soltam por diapedese de entre as grades.
Saem assim, disformes, espremidas,
num descontínuo de sentido.
Sai liberdade, sai raiva, sai tortura
sai deus, sai.... o que calha sair
e se fica alguma coisa
deve ser talvez por estar tanto frio lá fora.
Talvez não tenha, afinal, ficado nada,
talvez não haja, simplesmente
mais nada pra saír.
Quem disse qua as palavras têm de servir para alguma coisa?
Leva-as o vento.
Não porque as queira levar,
que não precisa delas:
só por não ter outro que remédio
que o de cumprir o seu destino
de provérbio
sem sentido.
Mas sem sentido são
todos os provérbios!
Liberto palavras.
Que se soltam por diapedese de entre as grades.
Saem assim, disformes, espremidas,
num descontínuo de sentido.
Sai liberdade, sai raiva, sai tortura
sai deus, sai.... o que calha sair
e se fica alguma coisa
deve ser talvez por estar tanto frio lá fora.
Talvez não tenha, afinal, ficado nada,
talvez não haja, simplesmente
mais nada pra saír.
Quem disse qua as palavras têm de servir para alguma coisa?
Leva-as o vento.
Não porque as queira levar,
que não precisa delas:
só por não ter outro que remédio
que o de cumprir o seu destino
de provérbio
sem sentido.
Mas sem sentido são
todos os provérbios!
Não
Hoje é o dia do não.
Não faz falta
não chove
não faz frio
não há medo.
Não há culpa e nem há perdão.
Não se sente a fome nem o desafio
não se sente o soprar do vento
porque hoje não.
Hoje?
Nem sequer houve hoje!
Hoje NÃO!!!
Não faz falta
não chove
não faz frio
não há medo.
Não há culpa e nem há perdão.
Não se sente a fome nem o desafio
não se sente o soprar do vento
porque hoje não.
Hoje?
Nem sequer houve hoje!
Hoje NÃO!!!
Ferrugem
Árvores que cantam
agitando as asas por dentro dos telhados,
furando núvens de terra congelada
em bancos de nevoeiro.
Como se fossem toupeiras
como se voassem livres.
E o que existe não serve para se ver
soa distante
como longe vão os nossos dedos
que não sentimos já de tanto ardor.
Passas longe
e eu sei que ao longe
a distância se faz curta.
Basta um avião e estamos lá!
A serenidade tem um preço
que só se paga
se não há mais nada para comprar.
Dizer adeus
é o mesmo que matar alguém.
E matar
faz nascer do vazio o infinito da esperança
no Além.
Não há tempo. Não há mais:
o que sobrou são pedaços de minutos
enferrujados.
agitando as asas por dentro dos telhados,
furando núvens de terra congelada
em bancos de nevoeiro.
Como se fossem toupeiras
como se voassem livres.
E o que existe não serve para se ver
soa distante
como longe vão os nossos dedos
que não sentimos já de tanto ardor.
Passas longe
e eu sei que ao longe
a distância se faz curta.
Basta um avião e estamos lá!
A serenidade tem um preço
que só se paga
se não há mais nada para comprar.
Dizer adeus
é o mesmo que matar alguém.
E matar
faz nascer do vazio o infinito da esperança
no Além.
Não há tempo. Não há mais:
o que sobrou são pedaços de minutos
enferrujados.
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