sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Ferrugem

Árvores que cantam
agitando as asas por dentro dos telhados,
furando núvens de terra congelada
em bancos de nevoeiro.

Como se fossem toupeiras
como se voassem livres.

E o que existe não serve para se ver
soa distante
como longe vão os nossos dedos
que não sentimos já de tanto ardor.

Passas longe
e eu sei que ao longe
a distância se faz curta.
Basta um avião e estamos lá!

A serenidade tem um preço
que só se paga
se não há mais nada para comprar.

Dizer adeus
é o mesmo que matar alguém.
E matar
faz nascer do vazio o infinito da esperança
no Além.

Não há tempo. Não há mais:
o que sobrou são pedaços de minutos
enferrujados.

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