sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Pro Verbum

Não escrevo.
Liberto palavras.
Que se soltam por diapedese de entre as grades.
Saem assim, disformes, espremidas,
num descontínuo de sentido.

Sai liberdade, sai raiva, sai tortura
sai deus, sai.... o que calha sair
e se fica alguma coisa
deve ser talvez por estar tanto frio lá fora.

Talvez não tenha, afinal, ficado nada,
talvez não haja, simplesmente
mais nada pra saír.

Quem disse qua as palavras têm de servir para alguma coisa?
Leva-as o vento.
Não porque as queira levar,
que não precisa delas:
só por não ter outro que remédio
que o de cumprir o seu destino
de provérbio
sem sentido.
Mas sem sentido são
todos os provérbios!




Sem comentários:

Enviar um comentário

Comenta aqui!

poner un anuncio gratis