sábado, 31 de maio de 2014

Entrópica vitória

Pedaços,
que por aí se espalham e se perdem.
Como se nem sequer tivessem importância.
Desligados uns dos outros,
criam distância.
Morrem.

Não tem culpa o vento, nem a chuva
Nem  o sol, nem, tão pouco o tempo.
Talvez o breve instante de um tremor de terra
Irrefletido, despreocupado.

Seguem o trajeto do destino,
levados por águas e por ventos,
Erodindo-se em caminhos impensados.

É talvez esta mesmo a lei geral do universo:
a entrópica vitória
derrubando a utopia.

domingo, 18 de maio de 2014

A IMPORTÂNCIA RELATIVA DOS ÓCULOS


Quase todos os dias chegava ao café e cumprimentava. Algumas vezes desabafava e contava do filho desempregado que agora, juntamente com a nora, viviam em sua casa
recorrendo à sua própria pensão de reforma, que cada dia ia parecendo minguar.
Um dia apareceu, tal como habitualmente no café, mas sem óculos. Contou, que se tinham partido mas que não havia como substitui-los...O dinheiro não chegava para mais despesas.
Entretanto, faz mais ou menos 2 meses, que o filho se lembrou duma solução: hipotecar a casa que era propriedade do velhote.
E assim foi.
Com o dinheiro recebido, puderam finalmente começar a viver melhor, conseguindo mesmo alugar uma casa onde ele a esposa foram morar, já que, como se costuma dizer,”quem
casa quer casinha”.
O velhote, entretanto, começou a constitituir uma preocupação para os vizinhos, que o viam sempre sozinho lá em sua casa, agora hipotecada e resolveram alertar a PSP, que passou a visitar regularmente aquela habitação, para saber se haveria alguma ajuda a prestar. Mas o agente responsável, ia tranquilizando os vizinhos, pois o velhote lhe dizia sempre que recebia diariamente a visita dos netos. Esatava, portanto, tudo bem.
A semana passada, porém, a luz da habitação permaneceu acesa, quer de dia quer de noite. Os vizinhos, intrigados, foram bater à porta.
Mas não houve resposta.
Passados dois dias, a situação mantinha-se.
De novo os vizinhos alertaram, a polícia que, rapidamente compareceu. Foi necessário porém, recorrer aos bombeiros para entrar em casa do velhote.
Mas, afinal, estava tudo bem!
Em tranquilidade o encontraram.
Tão tranquilo como qualquer um de nós está certo de vir um dia a estar.
Mas, melhor ainda:
Já não precisará, sequer, de comprar óculos novos!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

The sound of silence

O som do silêncio

tem a dimenssão do infinito:

tão grande, que se cabe dentro dele;

tão suave, que nem se dá por isso!

Esgotar

Olhando o tempo,

como se ele tivesse cor. E forma.

Cheirar o tempo:como se ele tivesse aroma.

Sentir o tempo: como se ele roçasse a pele.


Talvez só para perceber....

talvez só para passar o tempo observando o tempo!


Até que

esgotado o tempo

se acabsse também o pemsamento.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Sem estranhar

Nasceu, cresceu, elevou-se no céu e gritou de brilho e de calor.

Sorriu. 

Bateu à porta e quis entrar.


Mas não houve resposta.


Estranhou.


Repetiu, insistiu, teimou.


Aumentou de brilho, e de calor 

elevou-se ainda mais no céu

E gritou.

Gritou ainda mais, de brilho e de calor.

Bateu de novo à porta e quis entrar.


Mas não houve resposta.


E mais uma vez, estranhou.


Com um esforço, agora, ainda maior,

encheu mais e mais, de brilho e de calor,

Mas o esforço já não lhe dava para sorrir.


Gritou mais alto! Brilhou mais brilho! Aqueceu mais quente ainda!

Elevou-se mais alto do que nunca!

masnão aguentou:

explodiu e desapareceu de vez.


Não houve resposta.


            Não estranhou!

Tempo

Horas mortas
minutos que se perdem num infinito destino.
Um tempo sem pertença
que se estende para além de nós
e nos cerca de prisão.

E não há barco que nos leve,
e não há avião que nos transporte:
presos no tempo morto,
imóveis no tempo morto
perdemos já a finalidade.

Chegam vestigios dispersos de sentires diferentes
lá longe, na distância de oceanos-luz,
deixando vagos sentires
de esperanças que existiram
mas que ficaram de fora
deste
tempo morto.
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