quinta-feira, 1 de maio de 2014

Sem estranhar

Nasceu, cresceu, elevou-se no céu e gritou de brilho e de calor.

Sorriu. 

Bateu à porta e quis entrar.


Mas não houve resposta.


Estranhou.


Repetiu, insistiu, teimou.


Aumentou de brilho, e de calor 

elevou-se ainda mais no céu

E gritou.

Gritou ainda mais, de brilho e de calor.

Bateu de novo à porta e quis entrar.


Mas não houve resposta.


E mais uma vez, estranhou.


Com um esforço, agora, ainda maior,

encheu mais e mais, de brilho e de calor,

Mas o esforço já não lhe dava para sorrir.


Gritou mais alto! Brilhou mais brilho! Aqueceu mais quente ainda!

Elevou-se mais alto do que nunca!

masnão aguentou:

explodiu e desapareceu de vez.


Não houve resposta.


            Não estranhou!

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