quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A descoberta


A descoberta

O Zé ia a caminho de casa, quando de repente, ao tomar consciência dos pensamentos que ia pensando achou por bem alterar o seu caminho.

Mas...Estaria lá?

Virou a esquina, caminhou pela rua de prédios baixos e estragados, papéis no chão, lixo no chão e gente feia que se espalha por locais como aquele, (vá se lá saber porquê, parece que o feio atrai o feio, numa lei gravitacional por descobrir), a fim de chegar mais rapidamente ao seu destino, sofrendo com isso um caminhar desagradável, não por fadiga nas pernas ou dores nos pés, mas apenas por desconforto visual. Apesar do encurtar do caminho por aquela rua ser significatvo, a distância continuava sendo, ainda assim, apreciável.

Mas... Estaria lá?

Tanto poderia estar como não estar, mas a possibilidade primeira, fazia parecer-lhe valer a pena o esforço, mesmo que, pudesse oa situação ser inversa à desejada.
O Zé ia ganhando consciência do desperdício de tempo que poderiam ser aquelas horas, mas, ainda assim, a possibilidade de o não serem dava-lhe o alento necessário para continuar a caminhada longa.

Mas estava.
Embora, ainda faltando tanto para chegar, fosse impossível ao Zé saber que sim.

E estava, estando tranquilamente a cozinhar pedras em água fervente, que é o mesmo que dizer que estava ocupado em se ocupar, sem objetivo narrável. E neste desejo de ocupação permaneceu, satisfeito do que não estava a fazer, porque fazer pode ser pior que o inverso, dependendo da vontade e das circunstâncias, e nada pior que a perturbação de um tal estado, quando ele se apodera do nosso espírito, tal  como as ondas do mar se vão apoderando da areia, por ação da lua que vai puxando as águas, lá ao longe. No caso do nosso espírito, não será certamente ação da  lua mas talvez de  alguma alma penada que ande por aí em passeio errático.

Passou o tempo, ficaram para trás passos e mais passos e fez-se perto o que era longe e de tal forma, que agora o Zé já conseguia ver.
E viu.
E viu que estava.
Entusiasmou-se e começou a andar, agora mais depressa.

Ao mesmo tempo que quem estava, via agora, por seu turno, um vulto conhecido que se aproximava. Largou rapidamente o que não estava a fazer, para que não fosse dar-se o caso de passar a ter que fazer alguma coisa, nem que fosse só falar, o que seria mais que o suficiente para o distrair do ferver das pedras.
Saltou para a rua e rapidamente caminhou em direção oposta, perdendo-se no nevoeiro que nasce, quando muitos corpos juntos se transformam em massa, deixando pois de serem pessoas. Podendo, pois, continuar a cozedura.

Já de tão perto, conseguiu o Zé ainda ver o salto, mas depois, já só o nevoeiro.

Deus que é tão bom para prover no que não faz realmente falta, criando a ilusão de providência, quando não provê o que realmente importaria que provesse, teve a bondade de lhe oferecer uma cadeira ali abandonada, meio estragada e totalmente suja, mas que permitiu ao Zé sentar-se em plena rua, descansar e agradecer a benção da cadeira.

Foi assim, sentadinho e confortável, que o Zé fez enorme descoberta.

Sorriu, chorou, calou.

Seguiu viagem.

Mas ainda continua a pensar nisso.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Ficou melhor

Percorrer a estrada a saber do fim
mas sem ver o fim
sempre até ao fim.
E chega, um dia, o fim.

Um risco.
e para lá do risco, o nada,
uma escuridão de precipício
um negro de desconhecido
que já se sabia
mas que nunca se tinha visto.

Para trás,
Para trás o denso nevoeiro que apaga
o que realmente já não há, mas houve.
Já não se vê, já não se ouve,
muma miopia que já não deixa ver.

À beira, num balançar estonteante de enxaquecas
já nem recordo nada
porque decido deitar fora aquilo que me lembro.
Assim, já não me entendo

Mas ficou melhor,
muito melhor, assim!


domingo, 21 de setembro de 2014

Até que

Não me passa esta vontade, 
que me faz mal
que me magoa,
que surge à toa.

Teimosamente
olho a procurar o que não há, 
sabendo disso.

Ninguém dá a alguém o que não tem
das nuvens não cai petróleo
nem da terra brota o mel.

Sabor a fel:
Quando a esperança
não passa duma angústia construida de estupidez.
Idiota perseverança,

Venha pois o sono,
essa morte momentânea
que põe fim ao que não é preciso:
respiração, circulação e chega!

A ver se amanhã
com o novo sol que se adivinha
se constrói nova ilusão
para durar 
se prolongar no tempo e pensamento
até que, 
também ela,
não.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Paradoxos mentais

O limite da loucura
é função da razão ser limitada.

Luto contra ti com toda a força
pois se não te combater tu morres.

Nada é certo amanhã
porque hoje não se sabe o que fizemos.

Falar é natural. Ouvir também.
Dizer e entender é que é esquisito!


Caos de termos

Como as gotas de chuva que caem ao acaso
num caos de desordem consentida
saiam hoje as palavras,
sem ordem estabelecida!

Saem pois, em jorro, umas após outras:
vazio, serenidade
afastamento, preguiça
transtorno, luta
vontade, teimosia
saudade, voz
saudade, forma
desistência, nunca.
Pancada, resistência.

Assim não se diz nada
e diz-se tudo!
Apenas a leitura é complicada....

Falar xadrês

Um jogo de xadrez:
uma jogada, intenção escondida,
uma palavra
comunicação subentendida.

Descobrir o que é naquilo que parece ser
uma nuvem que pode ou não ser chuva
vá se lá saber!

Olhar o céu e saber prever o tempo
é mister de almas sabedoras!
Ouvir e compreender o que não se disse,
é uma arte de promessas sedutoras.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Vencer

Esquecer Criar distancia Suportar ausência Ignorar. Ver o mundo lá em baixo E senti-lo, como se fosse núvem... Sem emoçao, sem ilusao,sem coraçao. Sem alma. Fazer de conta Que o imenso rio da serenidade transbordou, Enchendo de deserto, a vida. Que se transmutou em nada. E gostar do nada, Fazer do nada o tudo, Que se imaginou. E gostar. A decepçao é a fronteira Entre sentir e o ser Nao sentir Sim, é isso que é vencer!
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