quarta-feira, 29 de abril de 2015

Deus no Nepal

Há mortos espalhados pelo chão à chuva,
há gritos: os que se gritam e os outros que se calam
corpos doridos, molhados, ensanguentados
há dor, há solidão, há pena.

E não há razão.
Não houve culpa, nem crime, nem agravo.
Porquê então?

Do ventre da terra onde crescia a raiva,
abriu-se a porta e saíu a destruição.
Sem aviso, sem razão.
Porquê? E porque não?

Forças negras que um dia um deus criou
numa brincadeira divertida;
tão só um momento de ironia
de divina criação.

Estúpida

Era uma vez uma rapariguinha estúpida, que não se cansava de o ser. Gemia de dor, cada vez que um pensamento lhe estalava no cérebro, mas claro, era sempre um pensamento inviável, não obstante o estalo.
Ora acontece que a vida de um estúppido é sempre um risco permanente, mesmo que o próprio não se aperceba do perigo que a sua estupidez lhe faz correr.
E assim, de risos em risco, de perigo em perigo, a rapariguinha  logicamente e com todas as probabilidades decorrentes do seu handicap já descrito, morreu em poucos anos.

Mas deixou saudades.




sábado, 18 de abril de 2015

Paz

Engano, ilusão tristeza,
num universo de mentira
de nada se tem certeza
 já nada nos admira.

O que se espera não é,
o que não se espera chega
perde-se a esperança e a fé
já nada nos aconchega.

Vale a certeza da morte:
só com ela funalmente
o caminho ganha norte

Dormir, emfim, tranquilamente
sem nada que nos importe.
Finalmente em paz, eternamente!









terça-feira, 7 de abril de 2015

Resistir

Insisto em resistir,
teimosamente, persistentemente,
eticamente.

(A ética não dá guito,
a ética não está in,
a ética é inestética!)

Insisto em repelir,
teimosamente, persistentemente,
o oportunismo barato...ou mesmo caro.

(O oportunismo dá guito,
o oportunismo está in,
o oportunismo tem charme!)

estupidamente
insisto em resistir.

Soltar


Soltar
as cordas que te prendem
os laços que te unem
as memórias que te esmagam.

Soltar e ir por aí.

Cabelo ao vento,
mente à solta
sem ver, sem ouvir e  sem sentir.
que o sentir
 é a prisão do pensamento!

Matar para poder ser:
matar imagens, matar rostos,
matar ilusões, matar desgostos,
matar é sobreviver!

na morte, enfim,
 a liberdade à solta!
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