sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Uma questão de linguagem

Persistiu, por longo tempo, teimosamente, insistentemente, sistematicamente na sua missão. Deitava-se a pensar na melhor maneira, na estratégia que pudesse ser a mais eficaz.
Depois, logo de manhã cedo, metia "mãos à obra" e lá ia, para mais um dia de dedicação à causa.
E assim era todos os dias, de todas as semanas, de todos os meses, de todos os anos
Sempre.
Persistentemente.
Houve quem lhe dissesse que não valia a pena...Que era escusado. Que era impossível tal missão.
Mas, ouvidos surdos, continuava sempre, acreditando que teria resultados.
Um dia, tal o cansaço da tarefa que a si próprio impusera, já nem teve forças para voltar a casa. Passou a noite lá, no seu "posto de trabalho", sem que desse propriamente conta de que era noite e estava frio demais para dormir assim, no meio duma pedreira abandonada.

Mas uma coisa muito estranha aconteceu durante essa noite:
uma luz vinda do mais longínquo lugar do Universo, de repente, deu-lhe  a clarividência necessária. para tomar uma decisão da máxima importância!


Mal acordou, tomou a firme decisão de desistir de imediato da obra em que há tanto tempo se empenhara e voltou para casa, embora encharcado duma enorme frustração.

Tinha, no entanto, percebido finalmente, a inutilidade dos seus esforços:

jamais conseguiria ensinar  pedras a falar!

sábado, 2 de janeiro de 2016

Na memória

O teu olhar...
Dz-me que sabes.
Já não podes.
Mas sabes.
Eu impotente, também sei.
Mas não te digo,porque sei que sabes.

Foram doze anos.
Muito tempo.
Pouco tempo!

E sempre a tua disponibilidade
mesmo se faltava a minha.
E sempre a tua sinceridade,
mesmo se faltava a minha.

Numa improvável amizade
com milhões de anos de distanciação genética!
Mas real. Verdadeira.
Não daquelas a fazer de conta.

Eu sei e sei que também sabes
que em 2016 chegará ao fim.
Não porque não queiras mais
não porque eu não queira mais
só porque não podes.
E eu também não posso.

Porque este deus que nos governa
se enche de importância ao contemplar o seu próprio sadismo.

Seja como for
estarás cá...
Cá dentro
na memória do sentir-te sempre.



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