Lá, num outro tempo e num outro espaço
não haverá palavras,
nem desenhos,
nem sinais.
Da mesma forma que não se rega um rio.
Lá, num outro tempo e numa outra dimensão,
verás o que eu vejo e não te mostro,
ouvirás o que eu oiço e não te digo.
Da mesma forma que não se fotografa a alma.
Lá, nesse outro tempo e nesse outro local,
os telefones erguerão montanhas.
uns sobre os outros, a enferrujar.
Não haverá livros, que não haverá palavra,
e não haverá palavras que não haverá letras.
Da mesma forma que não se usa o que já não há.
Lá, nesse outro tempo e espaço,
o pensamento será como o ar que se respira
que todos assilmilam e que não é de ninguém.
Da mesma forma que não se guarda o vento.
Lá, não precisarás falar.
Muito bonito, João!
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