Decidiam ir para Alcanena. As razões são desconhecidas. Tal como normalmente acontece, relativamente tanto a decisões que se tomam como a situações que acontecem. Mas nunca há acasos. Tudo acontece devido a uma cadeia complexa de causas e efeitos dessas mesmas causas, que são tantos os efeitos e tantas as causas, que não têm espaço para ficarem registadas na nossa compreensão: tal como aquele gato que acabou de subir àquela árvore naquele dia e naquela hora, porque um determinado cão nasceu há 6 anos(seria fácil explicar também, as causas do nascimento do cão naquele preciso ano, mas deixemos para lá) e foi levado até ao parque onde o gato estava porque o dono (mais uma vez um conjunto de causas efeitos fez com que determinado senhor ficasse dono do referido cão...) precisava de o levar a passear àquela precisa hora pois tendo dormido mal, achou que nquele dia um passeio o poderia pôr mas bem disposto, e escolheu aquele local, porque, tinha visto no dia anterior uma tabuleta, na estrada, com a indicação, estrada por onde ele habitualente não passava,mas por onde passou naquele dia, por ter ligado o GPS (e ligou-o porque acabara de lhe ser oferecido pelo avô,(claro que houve outras causas que determinaram a prenda do avô) que lhe mostrou uma outra rota para chegar a casa. E é este conjunto de causas que fez com que ogato tivesse naquele momento do tempo do mundo, de subir a uma árvore para fugir dum cão. E assim se explica que o acaso é apenas a resultante de não sermos capazes de conhecer todos os acontecimentos que se transformam em causas com consequências bem precisas e que não poderiam ser diferentes. Julgamos ter o poder de decisão, mas mesmo as decisões acontecem por determinação de uma conjugação de factos que se registaram nos nossos cérebros e determinam consequências precisas a que, com a falta de modéstia que nos caracteriza enquanto espécie, entendemos chamar de decisões. Não há , porém, nem acasos nem decisões. O que há são causas e suas consequências.
E sendo assim, corrigindo o que tinha escrito anteriormente, um conjunto desconhecido de causas teve como consequência, que o Manuel, a sua mulher Ana e a filha, a Rosinha, fossem, naquele preciso ano de 2010, passar as suas férias na praia fluvial de Alcanena, numa pequena pensão, de amiente familiar, que lhes indicaram.
Um espaço a jorrar de vida, nas margens choupos e Salgueiros dão abrigo às mais variadas espécies de aves fornecendo, ao mesmo tempo, agradáveis zonas de sombra, junto ao rio Alviela, que, acabado de nascer, conserva ainda, naquele local, a pureza original das suas águas, que se exprimem ruidosa e
alegremente ao saltarem os desníveis do seu percurso.
Instalou-se na família uma espécie de rotina de férias. Levantar tarde, tomar o pequeno almoço, fazer um farnel e ir para a praia.
Mas instalou-se, também uma outra rotina, por parte de Rosinha. A Rosinha, que tinha acabado de fazer 9 anos, era uma criança alegre, bonita, mas com um nevo castanho na testa, que, porém, a tornava ainda mais engraçada. especialmente quando sorria.
Ora de todas e de cada vez que mergulhava, a Rosinha virava-se para os pais, ao memo tempo que reparava nos cardumes de peixes que ali abundam, dizendo: "deve ser tão bom ser peixe!".
O Mnuel, católico praticante e convicto, de todas as vezes, explicava à filha que o Homem havia sido criado à imagem e semelhança de Deus e que por isso dizer-se que seria bom ser peixe, é um pecado.
Chegou mesmo, certo dia a, em vez de irem à praia, como habitualmente, fazerem uma deslocação ao Santuário de Fátima, logo ali ao lado, para que a Rosinha percebesse melhor os mistérios da religião, que, afinal, tão pouca gente percebe, se é que há mesmo quem perceba.
Resltados nulos: logo no dia seguinte, ao mergulhar, a mesma coisa:"deve ser tão bom ser peisxe!". O que levou a Ana a dizer ao Manuel, ao aperceber-se da sua irritação crescente: "não ligues, coisas de crinças! E, de qualquer forma, os peixes também são criaturas de Deus."
Mas mais uma vez por razões de cadeias de causas e efeitos, o período reservado às férias não é ilimitado, e chegou o dia da última ida à praia naquele ano. Esse último dia de férias em ALcanena, decorru quase como de costume.
Mas apenas quase, dado que, a deterninada altura, já todos dentro de água, se ouvir a voz da Ana:
"Oh Manuel, onde está a Rosinha?"
Mas a Rosinha não estava em lado nenhum. Estavam todos a nadar mesmo ao lado uns dos outros, no entanto, de repente, a filha tinha simplesmente desaparecido.Bem que procuraram no fundo das águas, mas a boa visibilidade daquele rio tão limpo naquele local, não deixava dúvidas..Não estava lá Terá sdo arastada pelas aguas? Chamaram-se as entidades oficiais: polícia, bombeiros. Todo o local foi passado a "pente fno", mas nada de Rosinha, nem viva nem cadáver. Durante meses a investgação prosseguiu. E prosseguiram também as lágrimas, as recriminações, a raiva de terem "decidido" ir passar férias para aquele local.
Progressivamente as rotinas de vidas de trabalho foram-se de novo instalando. Nasceu uma nova Rosinha e logo a seguir um Ronaldo.
Acontece que o Pedro e o Rui às 7 horas da manhã do dia 7 de Setembro de 2012 froam à pesca. Contrariamente ao habitual,não foram em vão. Conseguiram pescar 6 carpas, cada uma que chegava para uma refeião para os dois. Contentes com o resultado, foram mostrar a pescaria à família. Foi então que a Raquel, que vivia há mais de 3 anos já com o Rui, fez uma estranha descobeta: todas aquelas carpas tinham uma mancha castanha na zona cefálica, mancha essa nunca antes vista por nenhum deles em carpas pescadas naquele rio ou nos outros locais onde também pescavam.
Acharam estranho, mas não deram mais importância à obseração. Eram simlesmente assim aquelas carpas. Por acaso genético, talvez.
Mas nós que sabemos mais e que sabemos que o acaso não existe, facilmente compreendemos que também para esta insólita mancha na cabeça detas carpas, existiu uma cadeia de causas bem precisa.
A mancha é só a consequência.
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