quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Permanências

Esta água que corre e que tudo arrasta,
leva consigo peixes, algas, limos,
leva consigo pedras e cascalho,
como se fosse o tempo a levar a vida,
a levar para longe rostos, agora só memória,
palavras, agora só lembrança,
sentimentos que agora são já História.

Mas a laje grande, o xisto enorme,
vindo das profundezas da Terra, fica.
Pode a água teimar e voltar a teimar,
forçar e voltar a forçar,
que aquele xisto é força e resistência
aquele enorme xisto é permanência.
Mesmo que coberto e sem se ver,
o facto de estar lá, de permanecer,
muda todo o sentido do fluir das águas!
Por mais que corram as águas e seja o rio tão móvel,
aquela pedra enorme dá o sentido,dá a segurança:
a garantia, de que mesmo com mudança,
o fundamental
                              não é solúvel.

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