No meu bolso transporto um mistério. Que quero guardar.
Preocupo-me em saber como o hei de ter sempre comigo quando chegar o sol e o calor, já
que não terei casaco para o transportar
e no bolso das calças não deve dar jeito, pois é um pouco volumoso.
Sei, no entanto, que o tenho de trazer comigo, sempre,
embora não saiba exatamente porquê. Mas, se soubesse, não seria mistério.
Sei que, tal como da outra vez, no caso do outro mistério,
não fui eu que o procurei, foi ele que veio embater em mim. Neste caso, mais
precisamente, veio-me bater nos ténis. E isto, no preciso momento, em que
tentava perceber o anterior mistério, que há alguns anos também veio “chocar”
comigo, sem que eu estivesse à espera. Acredito que este novo mistério tenha
tudo a ver com o outro, embora não consiga perceber de que forma nem em que
sentido.
Sei que tem muitos anos de existência, é por certo, muito
mais velho que eu, por certo conhecedor de coisas e de mundos que eu não sei,
nem faço ideia…Mas que não me diz, porque não fala.
Ou será que vai dizer, mesmo sem a capacidade de falar? Não sei.
Dizem que tem a capacidade de transmitir a voz do mar.
Imagino que este terá talvez a capacidade de transportar uma
outra voz.
Ainda não confirmei esta hipótese.
Seja como for, este búzio é mister que fique comigo.
Pelo menos,
enquanto for
mistério.
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