quinta-feira, 20 de março de 2014

Nada

Calor, deserto, terra queimada,
espaços imensos de nada.
Apenas pó, apenas sol, apenas fogo
que queima o que se vê
e faz arder o que se sente.

Não se vai, porque não há percurso:
o distante é sempre igual ao aqui mesmo.
Olhar em volta, olhar em frente, olhar para trás?
Tanto dá:
o que se vê é sempre a mesma coisa.

Na ignorância do vazio,
almas em corpos caminham em azáfama.
Como se estivessem a fazer alguma coisa
ou fossem para algum lugar!
Andam só às voltas
em rodopios sobre si próprios.

Já nem sequer o tempo passa, 
apesar da teimosia dos relógios.
Persiste o pensamento:
mas sem objeto em que pensar.




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