terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pacotinhos de açucar


Aos montes! Já eram muitos mil, guardados em 3 gavetas e, como já lá não cabiam, ia-os acumulado em cima do tampo da secretária.
Fazia anos que, sempre que a oportunidade surgia, ele metia no bolso os pacotinhos de açúcar e os levava para casa, num ritual preciso e sistemático.
Considerava-se o maior colecionador de pacotinhos de açúcar do país!
Entretanto, enquanto nos primeiros anos, regularmente antes de ir dormir, ele observava atentamente a sua coleção, organizava-a, limpava todos e cada um dos seus pacotinhos, agora, que outros afazeres se sobrepunham, limitava-se, chegando a casa, a atirar os pacotinhos "do dia" para cima da secretária e por lá ficavam, mais nada.
E assim foram passando anos e mais anos.
Eis que um belo dia, logo na segunda página do jornal que estava a ler, lhe saltou aos olhos a notícia dum concurso de colecionadores de....pacotinhos de açúcar!!! E o prémio a atribuir ao vencedor não era de se "deitar fora"!!!
Pensou:
_Dificilmente me passarão à frente.  Duvido que alguém tenha um número de exemplares tão grande como eu, e, ainda para mais, alguns deles dificilmente outros terão, pois são bem antigos, de há muitos anos, de quando eu comecei pela primeira vez a colecionar. Vou preparar tudo e no fim de semana lá estarei e sei que vou ganhar!
Deitou-se e quase nem dormiu.
No dia seguinte, levantou-se bem cedinho, tomou, à pressa o pequeno almoço e, ainda sem sequer se ter vestido, foi ao quarto onde estava a secretária com a sua coleção.
Começou por selecionar de entre os que estavam atirados por cima do tampo da secretária, mas, quase nem conseguia acreditar no que estava a ver: os pacotinhos estavam todos "ratados", o açúcar espalhava-se pela mesa mal lhes tocava. Algum inseto se tinha dedicado a destruir por completo os seus pacotinhos de açúcar.
Não faz mal, pensou. Asneira tê-los abandonado aqui em cima da secretária... Mas mais do que estes e mais valiosos, são os que guardei nas gavetas.
Abriu, então, a primeira gaveta, o que não foi propriamente fácil, porque a madeira estava inchada e foi necessária alguma força. Olhou e, maior espanto ainda! A humidade tinha-se apoderado de tudo. Agora o que via eram papéis escuros, cobertos de bolor, colados uns aos outros. Nem letras nem desenhos se distinguiam, no meio daquela massa apodrecida pelos fungos.
Segunda gaveta, precisamente o mesmo.
Terceira gaveta, a mesma coisa,
Foi então que descobriu com estupefação, que nunca havia tido a menor ideia do significado da palavra colecionador...

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