segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Zé Zé


Chegou-me hoje ao nível do consciente...o Zé Zé.
Zé Zé para a família, para mim e para os amigos era o Vieira.
De seu nome completo, José Vieira Lopes. De Torres Novas a estudar em Lisboa, no Pedro Nunes e meu coloega de turma.
O Vieira foi um daqueles estranhos casos que, sem grande explicação, acontecem. O Vieira e eu, realmente, fomos inseparáveis, na escola e fora dela. Acho que sabiamos tudo ou quase tudo da vida um do outro, sabiamos bem dos nossos defeitos, eu dos dele e ele dos meus de tal forma que....éramos realmente amigos.
Muitas horas passámos juntos em cumplicidades por vezes “ilegais”, faltando a aulas para fazer coisas mais interessantes, conversando largamente até de madrugada, ou jogando as nossas habituais partidas de cartas, normalmente em casa dele. Ou...bem pior que isso...relembro de um exame escrito de francês que eu fiz, sentado em cima duma sanita, bem escondido dos contínuos, por razões....enfim...acho que óbvias.
Passámos juntos o, verão quente de 75, em que ele e eu tinhamos perspetivas políticas bem diferentes e recordo-me de caminharmos pela rua às 2 da manhã, em bravas discussões, chegando a acordar vizinhos, sem que tais duscussões melindrassem, fosse de que forma fosse, a amizade que entre nós havia.
Depois...
Depois o Zé Zé não conseguiu acabar o secundário naquele ano. O que deu que eu fosse para a faculdade e ele fosse estudar à noite. Só que o estudo à noite acabou por não dar grande resultado e o Vieira voltou para Torres Novas, para trabalhar.
Mesmo assim, quando vinha a Lisboa, lá marcávamos um encontro para dois dedos de conversa.
E o tempo foi andando e eu casei. Voltei a encontrar-me com o Vieira, sei que até o convidei para ir lá a casa, coisa que nunca chegou a acontecer.
A seguir... não sei. Imagino que ele continue a morar lá por Torres Novas e eu aqui por Lisboa. Nunca mais nos voltámos a ver nem a contactar.
Infelizmente, aos 20 anos, não temos bem ainda a noção de como algumas coisas são importantes e deixamo-las correr à flor do fluir do tempo. E assim é que, estou reaamente a falar duma aizade que já não existe, que morreu.
Sim, é uma amizade do passado, que já não existe de todo e que hoje me bateu ao nível do consciente,vá eu lá saber porquê!
Mas sendo uma amizade morta, é uma amizade que eu guardo algures num recanto do meu sistema nervoso central, e que sempre que me aflora à consciência, me sabe muito bem.
Pena é que nem sempre as amizades mortas tenham este mesmo sabor.

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