O delicioso papel de parvo.
Quando sabes e fazes que não sabes mas o outro não sabe que tu sabes e julgando que só ele sabe, faz de conta que não sabe para que tu não venhas a saber.... o que já sabes.
E assim se conseguem sorrisos cordiais, conversas agradáveis, em que se fala do que não interessa com o propósito de fazer de conta que se não sabe aquilo que interessa.
Deliciosamente saboroso!
Experimenta!
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Recordando Camilo Pessanha
Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme…
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme…
-Camilo Pessanha
Nada
O que parece ser
pode ser ou não ser
e se acontecer ser
pode não haver ninguém a ver.
Pode ser, pode ser que não,
quem sabe de si se não sabe dos outros?
mas dos outros ninguém sabe
por mais que tente e se esforce
portanto de si próprio também não.
Tudo por causa desta chuva que não molha.
Será que é chuva? Ou será que não?
Deste frio que não faz,
será que é frio?
Será que é neve?
Porque diabo não se vê quando se olha?
Este luar é o engano do sol,
este lugar o engano do espaço,
este sentir, o engano de sinapses encurraladas de estímulos
não desejados
não requeridos
abusivos
invasivos.
Vemos o que não existe graças ao engano do sol,
mal o sol se vai, vai-se o que se julgava que existia.
Liga-se, então, um candeeiro:
prolonga-se o engano,
até que o sono chegue ou a luz se apague
e a verdade aconteça.
O real é o vazio,
o teu espaço é uma mentira;
o teu tempo é um engano dum relógio cretino
que dá sons fingindo que são horas;
A única coisa que existe mesmo
é o teu pensar imaterial
com que criaste o mais improvável dos mundos
semeado pelos mais improváveis seres
onde colocaste um corpo a fazer de conta que és tu.
Deixa de pensar
e verás que é assim.
pode ser ou não ser
e se acontecer ser
pode não haver ninguém a ver.
Pode ser, pode ser que não,
quem sabe de si se não sabe dos outros?
mas dos outros ninguém sabe
por mais que tente e se esforce
portanto de si próprio também não.
Tudo por causa desta chuva que não molha.
Será que é chuva? Ou será que não?
Deste frio que não faz,
será que é frio?
Será que é neve?
Porque diabo não se vê quando se olha?
Este luar é o engano do sol,
este lugar o engano do espaço,
este sentir, o engano de sinapses encurraladas de estímulos
não desejados
não requeridos
abusivos
invasivos.
Vemos o que não existe graças ao engano do sol,
mal o sol se vai, vai-se o que se julgava que existia.
Liga-se, então, um candeeiro:
prolonga-se o engano,
até que o sono chegue ou a luz se apague
e a verdade aconteça.
O real é o vazio,
o teu espaço é uma mentira;
o teu tempo é um engano dum relógio cretino
que dá sons fingindo que são horas;
A única coisa que existe mesmo
é o teu pensar imaterial
com que criaste o mais improvável dos mundos
semeado pelos mais improváveis seres
onde colocaste um corpo a fazer de conta que és tu.
Deixa de pensar
e verás que é assim.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
l'âge
Veio-me à cabeça (vá-se lá saber porquê) uma música francesa que aprendi na minha infância e que, na altura, era apenas uma musiquita de aprender francês. Curioso como agora que a relembrei, todo o seu sentido se transfigurou! E reconheço que tanto me vejo a ocupar o papel do amigo do Pierrot como do Pierrot.
Pena que, demasiadas vezes seja tão bom "être dans son lit".
Pena que, demasiadas vezes seja tão bom "être dans son lit".
Au clair de la lune,
Mon ami Pierrot,
Prête-moi ta plume
Pour écrire un mot.
Ma chandelle est morte,
Je n'ai plus de feu,
Ouvre-moi ta porte,
Pour l'amour de Dieu.
Au clair de la lune
Pierrot répondit:
Je n'ai pas de plume,
Je suis dans mon lit.
Va chez la voisine,
Je crois qu'elle y est,
Car dans sa cuisine
On bat le briquet.
http://youtu.be/0M61zna8B_o
Mon ami Pierrot,
Prête-moi ta plume
Pour écrire un mot.
Ma chandelle est morte,
Je n'ai plus de feu,
Ouvre-moi ta porte,
Pour l'amour de Dieu.
Au clair de la lune
Pierrot répondit:
Je n'ai pas de plume,
Je suis dans mon lit.
Va chez la voisine,
Je crois qu'elle y est,
Car dans sa cuisine
On bat le briquet.
http://youtu.be/0M61zna8B_o
domingo, 17 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
As pedras
A pedra dura esperava.
Claro que em silêncio, jamais se ouviu uma pedra a falar... Mas pensava, porque o pensamento não se ouve e só por isso ninguém sabe o quanto as pedras pensam.
Pensava na razão de ser de estar ali, sempre ali, rodeada de tantas outras pedras pensadoras mas que, por não terem boca, não podiam transmitir-lhe o seu pensar, nem ela, tão pouco, a elas o podia fazer.
Tinha uma especial simpatia por uma pedra estranha, um pouco mais pequena do que ela própria, mas com umas cores e um brilho que ela muito apreciava, em especial, à luminosidade do entardecer.
Todos os dias a olhava insitente e profundamente, como se tentasse com o seu olhar transmitir-lhe o que pensava - "És tao bonita, donde vieste? Como te chamas?"
Uma manhã, porém, ao chegarem as primeiras radiações solares, olhou, votou a olhar, procurou, voltou a procurar: a pedra que tanto gostava, já não estava lá.
Provavelmente algum humano a teria encontrado e achando-a uma pedra especial, com as suas cores especiais e o seu brilho contagiante, guardado no bolso e levado para casa. (Os humanos são terríveis nestas coisas de tirar do Mundo o que é bonito e trancar o que tiram em armários, vitrinas, caixinhas que depois só eles conseguem ver.)
Era cedo ainda, quando ela se apercebeu da ausência da sua companheira de sempre.
O frio condensava a água sobre o solo. E olhando aquela pedra, pensativa, todos diriam que estava coberta pelo orvalho da manhã.
Tivesse,porém, havido alguém que se lembrasse de provar aquele líquido que cobria a pedra, e então sim, o sabor a sal, ter-lhe ia permitido aprender que as pedras também choram.
Só não conseguem é falar.
domingo, 10 de abril de 2011
Palavras no tempo (3)
Mário Soares profetiza decadência da Europa dominada pela Alemanha
Mário Soares diz que o descontentamento numa Europa dominada por Angela Merkel pode levar à desagregação da União Europeia. Num artigo publicado no jornal El País, o ex- presidente da República diz que desapareceu a igualdade e a solidariedade. Soares escreve ainda que "os Estados Membros estão dominados pela Alemanha que se esqueceu do que como país deve à Comunidade Europeia." Mário Soares neste artigo acusa ainda Nicolas Sarkozy de ser "o principal servo de um modelo económico que permite o domínio dos bancos alemães." Para Mário Soares a Europa está governada por partidos conservadores e ultraconservadores. E deixa um aviso: se não se reduzir o desemprego, as desigualdades sociais e não se criarem novos modelos de desenvolvimento as ruturas poderão ser violentas e perigosas e conduzir à decadência da União Europeia.
2011-04-04 20:49:46
Palavras no tempo (2)
Para Portugal, a adesão à CEE representa uma opção fundamental para um futuro de progresso e modernidade. Mas não se pense que seja uma opção de facilidade. Exige muito dos portugueses, embora lhes abra simultaneamente, largas perspectivas de desenvolvimento».
Mário Soares, excerto do discurso na cerimónia de assinatura.
sábado, 9 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
O que é
O que é?
Este sono que não me deixa dormir?
Esta Vida, que não nos deixam viver?
O que é este tempo, que nos tira o tempo e já tempo não é?
Que visão é esta, que não me deixa ver?
Que barulho é este, que não me deixa ouvir?
Crescemos na História e retrocedemos na esperança,
produzimos mais e temos menos
sabemos mais, e não sabemos para quê sabermos mais!
Nada é o que parece, nem nada do que parece é.
Perdidos no tempo da Historia,
perdidos na história da nossa história
que cada um conta
exactamente como quer contar,
lá vamos indo...
lá vamos indo...
Venha D. Sebastião depressa,
porque então sim,
chegaremos lá!
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Primavera
Em criança ensinaram-me que uma redacção sobre a Primavera deveria ser iniciada pela data em que a Primavera começa.
Já não faço redacções sobre a Primavera .
Devo dizer que nem é uma estação do ano que me agrade particularmente a não ser por ouvir passarinhos a cantar e marcar o fim do Inverno .
A Primavera é demasiado volúvel , intercalar,pouco marcante .
Gosto do qué ou/e do que não é . Mais ou menos , assim assim, não pertence ao meu modo de dizer/falar/sentir .
Queria escrever algo mais mas não consigo .
Exponho-me mas não demasiado .
Já não faço redacções sobre a Primavera .
Devo dizer que nem é uma estação do ano que me agrade particularmente a não ser por ouvir passarinhos a cantar e marcar o fim do Inverno .
A Primavera é demasiado volúvel , intercalar,pouco marcante .
Gosto do qué ou/e do que não é . Mais ou menos , assim assim, não pertence ao meu modo de dizer/falar/sentir .
Queria escrever algo mais mas não consigo .
Exponho-me mas não demasiado .
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Cachaça
Com um copo de cachaça na mão
e a boca cheia
e vozes que não oiço à minha volta
mergulho em mim
mas não é a mim que me observo
porque não me intessa.
Com o copo de cachaça na mão,
e a boca cheia
procuro.
Não vejo.
Mas vejo por dentro do que se não vê
e sinto no interior do cérebro bêbedo,
o vazio de ti.
Só a cachaça me preenche.
O copo na mão
e a boca cheia.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Viver além da Vida
O Mundo moveu-se
e eu não senti.
O vento uivou e voltou a uivar
e eu não ouvi.
Um relâmpago capaz de cegar cegos estoirou
e eu não vi.
Dentro do meu caixão negro, da negra cor da morte escura,
eu não vi nem ouvi ninguém entrar.
Não vi nem ouvi ninguém falar.
E foi nesta tranquilidade da Morte
que encontrei o bem estar por ter nascido um dia.
.
Subscrever:
Comentários (Atom)



