A pedra dura esperava.
Claro que em silêncio, jamais se ouviu uma pedra a falar... Mas pensava, porque o pensamento não se ouve e só por isso ninguém sabe o quanto as pedras pensam.
Pensava na razão de ser de estar ali, sempre ali, rodeada de tantas outras pedras pensadoras mas que, por não terem boca, não podiam transmitir-lhe o seu pensar, nem ela, tão pouco, a elas o podia fazer.
Tinha uma especial simpatia por uma pedra estranha, um pouco mais pequena do que ela própria, mas com umas cores e um brilho que ela muito apreciava, em especial, à luminosidade do entardecer.
Todos os dias a olhava insitente e profundamente, como se tentasse com o seu olhar transmitir-lhe o que pensava - "És tao bonita, donde vieste? Como te chamas?"
Uma manhã, porém, ao chegarem as primeiras radiações solares, olhou, votou a olhar, procurou, voltou a procurar: a pedra que tanto gostava, já não estava lá.
Provavelmente algum humano a teria encontrado e achando-a uma pedra especial, com as suas cores especiais e o seu brilho contagiante, guardado no bolso e levado para casa. (Os humanos são terríveis nestas coisas de tirar do Mundo o que é bonito e trancar o que tiram em armários, vitrinas, caixinhas que depois só eles conseguem ver.)
Era cedo ainda, quando ela se apercebeu da ausência da sua companheira de sempre.
O frio condensava a água sobre o solo. E olhando aquela pedra, pensativa, todos diriam que estava coberta pelo orvalho da manhã.
Tivesse,porém, havido alguém que se lembrasse de provar aquele líquido que cobria a pedra, e então sim, o sabor a sal, ter-lhe ia permitido aprender que as pedras também choram.
Só não conseguem é falar.
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