quinta-feira, 28 de abril de 2011

Nada

O que parece ser
pode ser ou não ser
e se acontecer ser
pode não haver ninguém a ver.

Pode ser, pode ser que não,
quem sabe de si se não sabe dos outros?
mas dos outros ninguém sabe
por mais que tente e se esforce
portanto de si próprio também não.

Tudo por causa desta chuva que não molha.
Será que é chuva? Ou será que não?
Deste frio que não faz,
será que é frio?
Será que é neve?
Porque diabo não se vê quando se olha?

Este luar é o engano do sol,
este lugar o engano do espaço,
este sentir, o engano de sinapses encurraladas de estímulos
não desejados
não requeridos
abusivos
invasivos.

Vemos  o que não existe graças ao engano do sol,
mal o sol se vai, vai-se o que se julgava que existia.
Liga-se, então, um candeeiro:
prolonga-se o engano,
até que o sono chegue ou a luz se apague
e a verdade aconteça.


O real é o vazio,
o teu espaço é uma mentira;
o teu tempo é um engano dum relógio cretino
que dá sons fingindo que são horas;

A única coisa que existe mesmo
é o teu pensar imaterial
com que criaste o mais improvável dos mundos
semeado pelos mais improváveis seres
onde colocaste um corpo a fazer de conta que és tu.

Deixa de pensar
e verás que é assim.

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