sábado, 21 de maio de 2011

A carta

Há uma carta
que anda pedida e não chega.
Talvez morada errada,
talvez esquecida num marco de correio, algures,
ou talvez a tinta do endereço tenha sumido
lavada de chuvas inventadas.

Insisto em esperar por ela
como quem espera a chuva no deserto.
Imagino o que ela diz
leio o que não vejo, em carta que não está
e cada dia leio o que eu quero ler.

Invento a carta e invento o texto
invento palavras que invento que recebo
invento estar a ler o que não leio
para inventar  que a carta precisamente diz:

- "Nada do que lês é inventado."

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