Deixa sair o sopro
que és tu feito poeira
que o vento leva para longes espaços
desertos, invisíveis, vazios de gentes.
Deixa-te, pois, ser sopro,
apenas isso e mais nada,
para que ninguém te veja, ninguém te saiba, ninguém te descubra,
para que não tenhas que ver, falar, ouvir,
para que o pó que apenas és, apenas sirva para alergias de incautos mais sensíveis
ou, então, para escurecer horizontes,
como se fosses nevoeiro denso feito de areias de desertos mortos.
Já não estarás aqui, nem em nenhuma parte,mas em todas,
transportando contigo um bafo sujo de corpo apodrecido
feito pó dum tempo engrecido
castigado de promessas que eram núvens.
Sob esta forma é este o teu futuro,
futuro eterno de poeira negra,
espalhada pelo Universo
também Ele, em fuga de si próprio!
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