Foi quando te deitei no caixote
e fui embora.
e depois a tampa saltou
e tu voltaste.
Depois atirei-te ao mar
para te afogar.
Mas um peixe que passou
trouxe-te à costa e te salvou.
Fiz cova na areia e enterrei-te
nem a cabeça ficou de fora.
Mas veio o vento e encontrei-te
de pé e vivo como outrora.
Peguei no carro e atropelei-te
as rodas esmagaram os teus ossos
tenho a certeza porque ouvi,
Só que, paassado pouco tempo, eu avistei-te
numa esplanada de cerveja e tremoços
sorrindo feliz de estares ali.
Desisto, pois, de te terminar.
A tua resiliência sobrepóe-se a tudo!
Assim resignado a ter de continuar
a crer que és Deus
que desceu ao Mundo.
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Concuros a nível de escola, sim ou não????
Concursos de professores:
locais ou nacionais?
Colocados dois professores lado a lado, e apenas sabendo que um é profissionalizado e com elevada graduação académica e o outro não profissionalizado e com mediana graduação académica, podemos dizer com segurança, qual deles é melhor professor? Qual deles é mais dedicado à sua escola? Qual deles é mais atento à evolução na aprendizagem dos seus alunos?
A resposta é óbvia. Não podemos saber!
Quem já anda há alguns anos na profissão docente, encontra professores altamente graduados e que, no entanto, são professores medíocres e encontra o inverso. Não se trata de situações de todo excepcionais, são, até frequentes, o que não quer, porém dizer que sejam a regra.
Neste contexto, a tradicional colocação de professores a nível nacional tendo em consideração grau académico, profissionalização, etc,etc, não é efectivamente garantia de que são colocados nas escolas os melhores professores. Para além deste aspecto genérico, a verdade é que as escolas concretas existem em meios concretos, e pode um indivíduo ser um óptimo professor em determinado contexto e não o ser num outro.
Surge assim a opção alternativa: ser a própria escola a escolher os professores que quer.
Nesta situação, duas hipóteses se põem :
a 1ª a escola já conhece o professor, porque ele já lá esteve.
a 2ª a escola necessita de contratar um professor novo, que nunca pertenceu à escola.
Vamos tratar da primeira situação, deixando a 2ª para depois.
Conhecendo já a escola o professor em causa, saberá se este lhe convém ou não e em que grau, tendo em conta o trabalho por ele demonstrado no período em que já lá trabalhou. Assim parece poder dizer-se que será fácil à escola determinar quem quer e quem não quer, podendo até fazê-lo com enorme transparência, explicitando ao candidato em questão, as razões porque quer que ele lá continue ou, ao contrário, porque não o quer.
Tomada e explicitada a decisão e sua fundamentação, as formas processuais de atingir o desidrato são de somenos importância. (basta habilidade de gestão)
Este é um processo em que se exige da escola uma grande assertividade. Mas, a verdade é que não é “a escola” (entidade abstrata) que escolhe um professor.
São pessoas concretas que ocupam cargos concretos, que têm a responsabilidade concreta na escolha e seleção (ou não) de tal ou tal professor.
Chegámos agora à vertente mais difícil do processo de contratação de docentes pelas escolas, pois a capacidade para tomar decisões deste tipo implica uma capacidade de liderança muito própria, que não está ao alcance de todos. A não haver esta capacidade de liderança, o que acontece é criar-se um nimbo de procedimentos, , envolvendo, se possível, um leque alargado de pessoas, na tentativa de que esses mesmos procedimentos e leque de pessoas salvaguardem a imagem do responsável, amortecendo-o dos impactos possíveis das escolhas que tem medo de fazer.
Alternativamente, pode haver capacidade de liderança mais que suficiente, mas total ausência de justiça na decisão: nesse caso a escolha pode recair sobre o menos competente porque é amigo da família, cunhado da prima....por aí fora.
Mentira?
Bem é que tal situação já acontece nas escolas há muito tempo no que toca a funcionários, ainda não tinha era chegado aos professores...
Como exemplo que conheço bem demais, posso citar uma escola onde, por concurso público (quantas pessoas nem imaginam o que se pode fazer por concurso público!) foram seleccionados: para a secretaria, o filho do Sr.A e para a biblioteca, a filha do Sr A. O Sr A, era, na altura, o encarregado dos funcionários auxiliares da escola. Curiosamente o filho do Sr A até se tinha esquecido de entregar a “papelada” necessária no prazo estipulado pela nota de abertura do concurso!)
Mas pode não ser uma questão de “compadrio”, mas uma questão de “necessidade”... Também na mesma escola que referi, onde exerci funções directivas alguns anos, não posso esquecer dum telefonema e das suas consequências... Tratava-se, mais uma vez, dum concurso público para funcionário administrativo. Eis que recebo um telefonema do Sr Presidente da Junta a pedir informações sobre os prazos do referido concurso,(que como é óbvio estavam explicitados) e a informar que perguntava porque....a filha estava interessada em concorrer. Pois. A filha concorreu, mas, azar, não foi seleccionada, e “hélas”, a escola deixou de receber todo e qualquer apoio da junta de freguesia referida, a partir da data da decisão do concurso..... Coincidência apenas. Mas que nos transporta para a questão de saber se não teria sido mais importante para a escola “ceder”à pressão – a tal “necessidade”.
Et pourtant,
O problema torna-se ainda mais complexo se juntarmos a estas questões uma outra:
são os professores do quadro melhores professores do que os que não são do quadro, por definição?
É claro que não. Então, no final dum ano lectivo, para que o processo de selecção de professores pela “escola” seja justo, deveria também a escola poder optar em “rejeitar o professor A, do quadro” trocando-o pelo “professor B, que não é do quadro”, mas que a “escola” sabe que é mais adequado às suas necessidades.
Porque não?
Deixemos o porque não ou porque sim para mais tarde, e passemos à 2ª situação: a escola não conhece os candidatos.
Neste caso terá então de estabelecer critérios específicos de selecção e promover entrevistas aos candidatos. (por que obviamente, não se fazem entrevistas a candidatos que já se conhecem de ginjeira!!!! . É estúpido!)
Entramos mais uma vez num domínio complexo. Porque os dados biográficos do candidato e a entrevista podem ocultar o essencial! Acham que não?
Voltamos ao caso dos funcionários cuja experiência de contratação por este processo por parte das escolas já é longa. Exemplo 2:
Aberto concurso público para ajudante de cozinha, na mesma escola que referi, apresentam-se a concurso 3 candidatas. Uma, não vale a pena referir pois a sua inadequação ao cargo era total. Mas, das outras duas, uma estava claramente à frente em termos de habilitações e experiência. Passamos à fase da entrevista. E mais uma vez as respostas dadas pela mais qualificada foram de longe superiores aos da outra candidata. Mas.... Vocês conhecem quando nos fica aquela sensação de que algo nos está a escapar? Aquele estranho sentimento de que estamos a apostar no cavalo errado? Um estranho “feeling” de estar a ser “embarrilado”?
Mas é concurso público, e agora?
Ah, mas vocês sabem lá o que se pode fazer em concursos públicos..... Já vos disse!
Olhem, pode, por exemplo, fazer-se um telefonema após a entrevista....e ficar a saber que, apesar da carta de recomendação escrita (e vá se lá saber porquê) a realidade era um contínuo de absentismo ao trabalho, falta de pontualidade e por aí fora....
E claro que, registado em acta o referido telefonema, a candidata escolhida foi a que “tinha perdido” em termo de habilitações e de entrevista!
Vamos então agora ao porquê e ao porque não.
Imaginando que tudo corre processualmente de forma correcta, as escolas conseguem de facto seleccionar os melhores professores.
Mas, para que isto aconteça, as expectativas pessoais resultantes da seriação e graduação profissionais foram, digamos, por água a baixo.
Habituámo-nos a pensar sectorialmente, como se a escola fosse um mundo à parte dentro do Mundo.
Não é.
E quais são as expectativas que foram “por água abaixo”?
Aquelas que resultam na possibilidade de ter a segurança suficiente, por exemplo, para fazer filhos;
Ou aquelas que resultam na segurança de ter a estabilidade necessária para apoiar os filhos que já existem.
Da 1ª resulta (e não podemos pensar só nas escolas mas sim em todo o Universo laboral) o decréscimo da natalidade e o envelhecimento da população e, para as escolas no concreto, a progressiva diminuição de discentes, a progressiva diminuição de docentes necessários, o encerramento de escolas.
Da 2ª resulta, para escolas e para a sociedade, um crescente número de alunos de famílias desajustadas, que não têm tempo nem capacidade de apoiar a evolução das crianças em crescimento, dando origem a um cada vez maior número de alunos inadaptados à escola, psicologicamente “atingidos” pela instabilidade profissional dos pais.
Das duas resulta que os muito bons professores seleccionados, começam, por um lado, eles próprios a já não serem necessários, por outro, a não conseguirem ser bons professores face à crescente perturbação psicológica e familiar dos seus alunos.
Isto partindo-se do princípio que tudo corre processualmente de forma correcta.
Porque se assim não for ( e já não é agora e seguramente não será no futuro), os problemas referidos atrás não se alteram são “apenas” acrescidos do sentimento de injustiça e de impotência face a um sistema de compadrio e corrupção.
Portanto: para melhor está bem está bem,
para pior já basta assim!
Contratações ao nível de escola, decididamente NÂO!
domingo, 18 de setembro de 2011
Oferendas
Queres me dar um telemóvel
topo de gama, da última geração,
agradeço muito seres amável
mas à tua oferta eu digo: não.
Achas que eu estou sem dinheiro
pois olha que tens razão.
Ofereces-me de ajuda o teu mealheiro
mas à tua oferta eu digo: não.
Tens um carro p'ra vender
e visto que eu ando sempre a pé
queres-mo oferecer...
Mas à tua oferta eu digo: essa também não é!
Olhas p'ra mim, não entendes
tanta recusa sem razão
e dizes, por entre-dentes
"Nada serve ao parvalhão!"
Vem o tempo e tempo passa
nada encontras que me dar
e dizes que não tem graça
eu estar sempre a recusar.
Então explco-te, baixinho,
para mais ninguém saber:
"Dá-me apenas um beijinho
que eu o guardarei até morrer!"
topo de gama, da última geração,
agradeço muito seres amável
mas à tua oferta eu digo: não.
Achas que eu estou sem dinheiro
pois olha que tens razão.
Ofereces-me de ajuda o teu mealheiro
mas à tua oferta eu digo: não.
Tens um carro p'ra vender
e visto que eu ando sempre a pé
queres-mo oferecer...
Mas à tua oferta eu digo: essa também não é!
Olhas p'ra mim, não entendes
tanta recusa sem razão
e dizes, por entre-dentes
"Nada serve ao parvalhão!"
Vem o tempo e tempo passa
nada encontras que me dar
e dizes que não tem graça
eu estar sempre a recusar.
Então explco-te, baixinho,
para mais ninguém saber:
"Dá-me apenas um beijinho
que eu o guardarei até morrer!"
sábado, 17 de setembro de 2011
o "Clique"
No xadrês do tempo-espaço
cruzam-se os corpos e as almas
na mais aleatória cadência de encontros
ou desencontros de trajectos diferenciados.
Milhares de rostos-sorrisos, rostos-choros,
que passam e nos olham e não vemos!
Vozes que gritam, braços que se agitam,
passam de largo nem sequer sabemos.
Mas de repente, no meio de tanta gente,
alguém se desfaz do nevoeiro que nos tolda a vista
e nos diz "olá"
e por magia, o vazio-frio da caminhada
se faz tão de repente quente.
Sem saberes porquê
descobres:
aquele estava ali para te encontar, desde o infinito
estando à espera desde a hora da génese do Mundo
de te encontrar a ti,
naquele dia e hora
e precisamente ali.
E então, com a máxima surpresa,
também tu percebes
que há séculos que o conheces,
porque desde sempre que é
um pedaço essencial de ti!
cruzam-se os corpos e as almas
na mais aleatória cadência de encontros
ou desencontros de trajectos diferenciados.
Milhares de rostos-sorrisos, rostos-choros,
que passam e nos olham e não vemos!
Vozes que gritam, braços que se agitam,
passam de largo nem sequer sabemos.
Mas de repente, no meio de tanta gente,
alguém se desfaz do nevoeiro que nos tolda a vista
e nos diz "olá"
e por magia, o vazio-frio da caminhada
se faz tão de repente quente.
Sem saberes porquê
descobres:
aquele estava ali para te encontar, desde o infinito
estando à espera desde a hora da génese do Mundo
de te encontrar a ti,
naquele dia e hora
e precisamente ali.
E então, com a máxima surpresa,
também tu percebes
que há séculos que o conheces,
porque desde sempre que é
um pedaço essencial de ti!
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Mordaça
Palavras travadas. Fazendo guincho.
Deixando o chão marcado.
Melhor assim?
Cobardia? Medo?
Sim, talvez o medo,mas não o medo dos outros
Só o medo de ti.
Por isso o guincho, o travão às 4 rodas,
que me põe doente, instável, lost on the road.
Quando a necessidade é gritar até que a Lua ouça!
E afinal, para quê?
Deixando o chão marcado.
Melhor assim?
Cobardia? Medo?
Sim, talvez o medo,mas não o medo dos outros
Só o medo de ti.
Por isso o guincho, o travão às 4 rodas,
que me põe doente, instável, lost on the road.
Quando a necessidade é gritar até que a Lua ouça!
E afinal, para quê?
sábado, 10 de setembro de 2011
Sem resposta
Bastava uma palavra, mas não disseste,
dizias,eu respondia, e ias logo embora,
não quiseste.
Em vez disso, bateu-me à porta o teu silêncio,
que me de imediato me hidratou os olhos,
e me fez perguntar se,afinal,
é apenas unívoco o meu sentimento.
A amizade é lvre como um pássaro,
vai para onde ela quer,ninguém a leva...
Eu sei, eu sei...
Nasce cá dentro nas entanhas, sem pressa,
mas transporta toda a pressa do retorno.
Bateu.me à minha porta o teu silêncio,
partiu a porta e e sem pedir licença enrtou,
sentou-se , como se a casa fosse dele,
ignorando por certo a dor que me causou.
dizias,eu respondia, e ias logo embora,
não quiseste.
Em vez disso, bateu-me à porta o teu silêncio,
que me de imediato me hidratou os olhos,
e me fez perguntar se,afinal,
é apenas unívoco o meu sentimento.
A amizade é lvre como um pássaro,
vai para onde ela quer,ninguém a leva...
Eu sei, eu sei...
Nasce cá dentro nas entanhas, sem pressa,
mas transporta toda a pressa do retorno.
Bateu.me à minha porta o teu silêncio,
partiu a porta e e sem pedir licença enrtou,
sentou-se , como se a casa fosse dele,
ignorando por certo a dor que me causou.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Baza, Deus!
Deus,
tudo o que me dá, tu tiras,
tudo o que me mostras, depois escondes,
não te entendo.
Afinal, que mal te fiz, oh Deus,
tratas-me assim tão mal, porquê?
Que mais merdas tenho de passar
para chegar aos céus?
Amor, tu? Só a brincar...
Amas-te só a ti próprio, Deus,
e ao gozo que te dá trocar as voltas
àqueles a quem chamas filhos teus.
Um pai assim, dispenso
antes ser órfão!
Levar a vida que eu quero
sem ter de te dar conta
Bem vês que sou sincero!
Por isso, Deus, deixa-me em paz!
Não me dês mais nada, não preciso.
Segue o teu caminho, eu sigo o meu
podes te ir embora. eu autorizo!
tudo o que me dá, tu tiras,
tudo o que me mostras, depois escondes,
não te entendo.
Afinal, que mal te fiz, oh Deus,
tratas-me assim tão mal, porquê?
Que mais merdas tenho de passar
para chegar aos céus?
Amor, tu? Só a brincar...
Amas-te só a ti próprio, Deus,
e ao gozo que te dá trocar as voltas
àqueles a quem chamas filhos teus.
Um pai assim, dispenso
antes ser órfão!
Levar a vida que eu quero
sem ter de te dar conta
Bem vês que sou sincero!
Por isso, Deus, deixa-me em paz!
Não me dês mais nada, não preciso.
Segue o teu caminho, eu sigo o meu
podes te ir embora. eu autorizo!
Zombi
Vem um dia e ficas só
rodeado de gente, de passos,de vozes,
mas o vazio imenso sobre ti
que te cobre como uma mortalha.
Não há luz...Não há vida,
o espaço escurece, fica disforme ou distorcido
nem sequer o verde das árvores dá côr ao infinito negro.
Morreste!
(Ou então mataram-te....)
Mataram-te os teus sonhos de justiça,
mataram-te os teus sonhos de esperança,
os teus sonhos de amizades eternas.
Ficou a paz da morte,
a tristeza das ausências.
No entanto, afinal,
não morreste ainda,
respiras aindas,
o teu coração bate, ainda:
completamente sem sentido!
rodeado de gente, de passos,de vozes,
mas o vazio imenso sobre ti
que te cobre como uma mortalha.
Não há luz...Não há vida,
o espaço escurece, fica disforme ou distorcido
nem sequer o verde das árvores dá côr ao infinito negro.
Morreste!
(Ou então mataram-te....)
Mataram-te os teus sonhos de justiça,
mataram-te os teus sonhos de esperança,
os teus sonhos de amizades eternas.
Ficou a paz da morte,
a tristeza das ausências.
No entanto, afinal,
não morreste ainda,
respiras aindas,
o teu coração bate, ainda:
completamente sem sentido!
Amputações
A tua ausência é um absurdo,
O teu espaço vazio de ti é um desgosto,
os sítios perdem o sentido
o esforço torna-se gratuito.
Por isso,
jamais te deixarei partir,
por muito que os outros te dispensem,
por mais que os outros te esqueçam
por mais que os outros se façam indiferentes.
Estás no meu peito
cá bem no interior
sinto-te comigo, cá dentro e para sempre.
És o meu corpo,
jamais te amputarei.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
O que importa?
Cada palavra que não me dizes
é uma pedrada que me atinge
e que me faz doer, e que me faz sofrer
e que me faz desistir de mim
como se já eu não fosse
como se já morto
e enterrado me encontrasse.
Estupidamente, porém,
volto lá e volto a voltar lá
na esperança do teu nome acontecer
e uma e outra vez
é a tua ausência que me cumprimenta
é a tua ausência que fala comigo
é a tua ausência que me chama amigo.
E depois roda o mundo, gira a Vida
igual, sempre igual,
martelando o tempo, esmigalhando dias, meses, anos
que passam ao sabor do nada.
Tu segues.
na verdade não é nada contigo.
O teu tempo exite numa outra dimensão
na tua dimensão.
Nada a ver com a dimensão dos mortos.
Sei tudo isto.
Sei ler o tempo, a vida, o momento
o pensamento, o sofrimento,
o desespero, o contentamento....
E sabendo ler
eu sei do desperdício
de esperar o que não vai acontecer.
Mas, teimosamente, insisto na espera.
Volto lá e volto a voltar lá,
Quem sabe, pode ser que calhe...
Mas não calha!
Nunca calha.
Nuca há de calhar!
Bater à tua porta
uma ousadia:
um morto armado em cidadão!
Fecha-se o círculo num quadrado
escondido na exotérica hipótese
por comprovar.
Faz tempo! Faz muito tempo
que o tempo passa
que o tempo vai
E é o tempo quem me retira o tempo
e me retira a esperança.
Dói-me o corpo das pedradas que recebo,
Olha, atira as que quiseres:
mais pedra, menos pedra
fractura a mais fractura a menos,
caga!
Porque, afinal aquilo que importa
aquilo que realmente importa
é que estejas bem!
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