sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Concuros a nível de escola, sim ou não????


Concursos de professores:
locais ou nacionais?

Colocados dois professores lado a lado, e apenas sabendo que um é profissionalizado e com elevada graduação académica e o outro não profissionalizado e com mediana graduação académica, podemos dizer com segurança, qual deles é melhor professor? Qual deles é mais dedicado à sua escola? Qual deles é mais atento à evolução na aprendizagem dos seus alunos?
A resposta é óbvia. Não podemos saber!

Quem já anda há alguns anos na profissão docente, encontra professores altamente graduados e que, no entanto, são professores medíocres e encontra o inverso. Não se trata de situações de todo excepcionais, são, até frequentes, o que não quer, porém dizer que sejam a regra.

Neste contexto, a tradicional colocação de professores a nível nacional tendo em consideração grau académico, profissionalização, etc,etc, não é efectivamente garantia de que são colocados nas escolas os melhores professores. Para além deste aspecto genérico, a verdade é que as escolas concretas existem em meios concretos, e pode um indivíduo ser um óptimo professor em determinado contexto e não o ser num outro.

Surge assim a opção alternativa: ser a própria escola a escolher os professores que quer.

Nesta situação, duas hipóteses se põem :
a 1ª a escola já conhece o professor, porque ele já lá esteve.
a 2ª a escola necessita de contratar um professor novo, que nunca pertenceu à escola.

Vamos tratar da primeira situação, deixando a 2ª para depois.

Conhecendo já a escola o professor em causa, saberá se este lhe convém ou não e em que grau, tendo em conta o trabalho por ele demonstrado no período em que já lá trabalhou. Assim parece poder dizer-se que será fácil à escola determinar quem quer e quem não quer, podendo até fazê-lo com enorme transparência, explicitando ao candidato em questão, as razões porque quer que ele lá continue ou, ao contrário, porque não o quer.

Tomada e explicitada a decisão e sua fundamentação, as formas processuais de atingir o desidrato são de somenos importância. (basta habilidade de gestão)

Este é um processo em que se exige da escola uma grande assertividade. Mas, a verdade é que não é “a escola” (entidade abstrata) que escolhe um professor.

São pessoas concretas que ocupam cargos concretos, que têm a responsabilidade concreta na escolha e seleção (ou não) de tal ou tal professor.

Chegámos agora à vertente mais difícil do processo de contratação de docentes pelas escolas, pois a capacidade para tomar decisões deste tipo implica uma capacidade de liderança muito própria, que não está ao alcance de todos. A não haver esta capacidade de liderança, o que acontece é criar-se um nimbo de procedimentos, , envolvendo, se possível, um leque alargado de pessoas, na tentativa de que esses mesmos procedimentos e leque de pessoas salvaguardem a imagem do responsável, amortecendo-o dos impactos possíveis das escolhas que tem medo de fazer.

Alternativamente, pode haver capacidade de liderança mais que suficiente, mas total ausência de justiça na decisão: nesse caso a escolha pode recair sobre o menos competente porque é amigo da família, cunhado da prima....por aí fora.

Mentira?

Bem é que tal situação já acontece nas escolas há muito tempo no que toca a funcionários, ainda não tinha era chegado aos professores...
Como exemplo que conheço bem demais, posso citar uma escola onde, por concurso público (quantas pessoas nem imaginam o que se pode fazer por concurso público!) foram seleccionados: para a secretaria, o filho do Sr.A e para a biblioteca, a filha do Sr A. O Sr A, era, na altura, o encarregado dos funcionários auxiliares da escola. Curiosamente o filho do Sr A até se tinha esquecido de entregar a “papelada” necessária no prazo estipulado pela nota de abertura do concurso!)

Mas pode não ser uma questão de “compadrio”, mas uma questão de “necessidade”... Também na mesma escola que referi, onde exerci funções directivas alguns anos, não posso esquecer dum telefonema e das suas consequências... Tratava-se, mais uma vez, dum concurso público para funcionário administrativo. Eis que recebo um telefonema do Sr Presidente da Junta a pedir informações sobre os prazos do referido concurso,(que como é óbvio estavam explicitados) e a informar que perguntava porque....a filha estava interessada em concorrer. Pois. A filha concorreu, mas, azar, não foi seleccionada, e “hélas”, a escola deixou de receber todo e qualquer apoio da junta de freguesia referida, a partir da data da decisão do concurso..... Coincidência apenas. Mas que nos transporta para a questão de saber se não teria sido mais importante para a escola “ceder”à pressão – a tal “necessidade”.

Et pourtant,
O problema torna-se ainda mais complexo se juntarmos a estas questões uma outra:
são os professores do quadro melhores professores do que os que não são do quadro, por definição?

É claro que não. Então, no final dum ano lectivo, para que o processo de selecção de professores pela “escola” seja justo, deveria também a escola poder optar em “rejeitar o professor A, do quadro” trocando-o pelo “professor B, que não é do quadro”, mas que a “escola” sabe que é mais adequado às suas necessidades.

Porque não?

Deixemos o porque não ou porque sim para mais tarde, e passemos à 2ª situação: a escola não conhece os candidatos.

Neste caso terá então de estabelecer critérios específicos de selecção e promover entrevistas aos candidatos. (por que obviamente, não se fazem entrevistas a candidatos que já se conhecem de ginjeira!!!! . É estúpido!)

Entramos mais uma vez num domínio complexo. Porque os dados biográficos do candidato e a entrevista podem ocultar o essencial! Acham que não?

Voltamos ao caso dos funcionários cuja experiência de contratação por este processo por parte das escolas já é longa. Exemplo 2:
Aberto concurso público para ajudante de cozinha, na mesma escola que referi, apresentam-se a concurso 3 candidatas. Uma, não vale a pena referir pois a sua inadequação ao cargo era total. Mas, das outras duas, uma estava claramente à frente em termos de habilitações e experiência. Passamos à fase da entrevista. E mais uma vez as respostas dadas pela mais qualificada foram de longe superiores aos da outra candidata. Mas.... Vocês conhecem quando nos fica aquela sensação de que algo nos está a escapar? Aquele estranho sentimento de que estamos a apostar no cavalo errado? Um estranho “feeling” de estar a ser “embarrilado”?
Mas é concurso público, e agora?
Ah, mas vocês sabem lá o que se pode fazer em concursos públicos..... Já vos disse!
Olhem, pode, por exemplo, fazer-se um telefonema após a entrevista....e ficar a saber que, apesar da carta de recomendação escrita (e vá se lá saber porquê) a realidade era um contínuo de absentismo ao trabalho, falta de pontualidade e por aí fora....
E claro que, registado em acta o referido telefonema, a candidata escolhida foi a que “tinha perdido” em termo de habilitações e de entrevista!


Vamos então agora ao porquê e ao porque não.

Imaginando que tudo corre processualmente de forma correcta, as escolas conseguem de facto seleccionar os melhores professores.
Mas, para que isto aconteça, as expectativas pessoais resultantes da seriação e graduação profissionais foram, digamos, por água a baixo.

Habituámo-nos a pensar sectorialmente, como se a escola fosse um mundo à parte dentro do Mundo.
Não é.
E quais são as expectativas que foram “por água abaixo”?

Aquelas que resultam na possibilidade de ter a segurança suficiente, por exemplo, para fazer filhos;
Ou aquelas que resultam na segurança de ter a estabilidade necessária para apoiar os filhos que já existem.

Da 1ª resulta (e não podemos pensar só nas escolas mas sim em todo o Universo laboral) o decréscimo da natalidade e o envelhecimento da população e, para as escolas no concreto, a progressiva diminuição de discentes, a progressiva diminuição de docentes necessários, o encerramento de escolas.

Da 2ª resulta, para escolas e para a sociedade, um crescente número de alunos de famílias desajustadas, que não têm tempo nem capacidade de apoiar a evolução das crianças em crescimento, dando origem a um cada vez maior número de alunos inadaptados à escola, psicologicamente “atingidos” pela instabilidade profissional dos pais.

Das duas resulta que os muito bons professores seleccionados, começam, por um lado, eles próprios a já não serem necessários, por outro, a não conseguirem ser bons professores face à crescente perturbação psicológica e familiar dos seus alunos.

Isto partindo-se do princípio que tudo corre processualmente de forma correcta.

Porque se assim não for ( e já não é agora e seguramente não será no futuro), os problemas referidos atrás não se alteram são “apenas” acrescidos do sentimento de injustiça e de impotência face a um sistema de compadrio e corrupção.

Portanto: para melhor está bem está bem,
para pior já basta assim!
Contratações ao nível de escola, decididamente NÂO!

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