Cada palavra que não me dizes
é uma pedrada que me atinge
e que me faz doer, e que me faz sofrer
e que me faz desistir de mim
como se já eu não fosse
como se já morto
e enterrado me encontrasse.
Estupidamente, porém,
volto lá e volto a voltar lá
na esperança do teu nome acontecer
e uma e outra vez
é a tua ausência que me cumprimenta
é a tua ausência que fala comigo
é a tua ausência que me chama amigo.
E depois roda o mundo, gira a Vida
igual, sempre igual,
martelando o tempo, esmigalhando dias, meses, anos
que passam ao sabor do nada.
Tu segues.
na verdade não é nada contigo.
O teu tempo exite numa outra dimensão
na tua dimensão.
Nada a ver com a dimensão dos mortos.
Sei tudo isto.
Sei ler o tempo, a vida, o momento
o pensamento, o sofrimento,
o desespero, o contentamento....
E sabendo ler
eu sei do desperdício
de esperar o que não vai acontecer.
Mas, teimosamente, insisto na espera.
Volto lá e volto a voltar lá,
Quem sabe, pode ser que calhe...
Mas não calha!
Nunca calha.
Nuca há de calhar!
Bater à tua porta
uma ousadia:
um morto armado em cidadão!
Fecha-se o círculo num quadrado
escondido na exotérica hipótese
por comprovar.
Faz tempo! Faz muito tempo
que o tempo passa
que o tempo vai
E é o tempo quem me retira o tempo
e me retira a esperança.
Dói-me o corpo das pedradas que recebo,
Olha, atira as que quiseres:
mais pedra, menos pedra
fractura a mais fractura a menos,
caga!
Porque, afinal aquilo que importa
aquilo que realmente importa
é que estejas bem!
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