Neste escuro tempo feito noite
na distância dos pensamentor que vagueiam
em horas destruidas por minutos incompreendidos
que tornam o presente e o passado inintelegíveis,
canta uma voz, lá longe
Mas o que será que canta?
Deitados na morte do pensamento que já não têm
corpos nus destacam-se na noite
como se fossem estrelas
como se fossem velas
como se fossem mitos.
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
A cinza acumula-se. Cinza de relógios que se gastaram
O cheiro a cinza transforma-se em horixzonte,
o horizonte em nevoeiro,
o nevoeiro em vazio.
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
é então que fala o rei e diz,
diretamente, sem intermediários,
ordem seca dada à voz:
"PORQUE NO TE CALLAS?"
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
sábado, 23 de agosto de 2014
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
No estranho reino da dinamarca
No estranho reino da dinamarca
Capítulo I - Soren e Axel
Soren e Axel, dois bons amigos que vivem em Copenhaga, faz anos que passam os anos inteiros a trabalhar. (Como costuma, aliás fazer, a gande maioria dos habitantes destas terras). Até aqui nada de estranho, no estranho reino que este é, mas que neste desidrato é em tudo igual aos outros reinos que se conhecem.
No ano passado, chegadas as merecidas férias, Soren despediu-se de Axel e rumou com a família, à descoberta da Suécia. Axel, por seu lado, percorreu toda a costa da Jutelândia. Passaram, pois, as férias em viagens de lazer e descoberta de novos sítios, novas gentes, e trocando, volta e meia, informações entre si, sobre os locais por onde andavam.
Mas, embora estranho, este reino da dinamarca é igual a todos os outros reinos, pelo menos noutra coisa, que, se os dinamarqueses soubessem falar potuguês, traduziriam desta forma: "Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe". Ou, dito de uma forma mais simples e mais rápida, ao fim de algumas semanas, o tempo de férias acabou e tanto Soren como Axel começaram a iniciar as respetivas viagens de regresso a Copenhaga. Já bem perto de capital do reino, descansaram alguns dias, junto à praia: Soren, na ilha de Aero e Axel na ilha de Drejo, que curiosmente se situam mesmo uma ao lado da outra e de tal forma perto, que umas braçadas de bom nadador permitem facilmente chegar de uma a outra, mas, não sendo o caso, 5 minutos de barco são suficientes para a travessia.
E foi com bastante surresa que Axel soube da pesença de Soren em Aero e Soren, da pesença de Axel em Drejo! Ali mesmo ao lado, o acaso ou o destino permitiam que pudessem facilmente contar as suas peripécias de viagens, mostrar fotos, enfim, conversar um pouco sobre as respetivas experiências, tal como é de esperar de dois amigos que se reencontram no final dumas férias bem curtidas.
Capítulo II - O que Soren contou a Axel e o que Axel contou a Soren
.............................................................................................................................................................................................................................................
Capítulo III - A explicação
Pois é, meus caros leitores, o capítulo anterior está completamente em branco. Mas garanto-vos não ser eu, o autor desta história, o responsável pela brancura do papel. Nada disso. Não fiquei cansado nem perdi a criatividade. Apenas quis e quero ser fiel à verdade dos acontecimentos que vos narro.
Na verdade, não contaram nada.
Porque nem Soren nem Axel tentaram sequer chegar à ilha ali logo ao lado. Nem dando algumas braçadas, nem apanhando o barco.
Direis vós que é caso estranho.
Por certo que sim, mas será fácil de entender que não iria eu, autor deste conto, alterar a realidade simplesmente para vosso deleite lendo as aventuras e peripécias deste dois diamarqueses que vos apresentei.
Não ireis, portanto, saber absolutamente nada das suas aventuras de férias, tal como eu também não sei!
Mas, claro, compete-me, isso sim, enquanto autor deste conto, dar-vos agora a explicação para o estranho facto de nenhum dos dois, que com tanta vontade diziam estar de trocar relatos das suas experiências, terem apanhado o barco para a outra ilha, mesmo ali ao lado.
Ambos em férias, parecendo ambos com vontade... mas não. O barco andou para cá, andou para lá, mas nunca nenhum deles chegou sequer a pisar os respetivos cais!
Pois bem, é preciso conhecer a dinamarca, os seus fiordes, as abruptas montanhas que parecem debruçar-se agressivamente sobre o mar e particulamnnte conhecer os densos nevoeiros que por ali se formam, e que estão repletos de mistérios que sabendo-se que existem, ficam sempre por contar, ou não fossem eles mistérios e tão denso o nevoeiro que os guarda!
O que vos contei e que aconteceu com Soren e Axel, a explicação para tão estranha ocorrência, está ela também algures envolta num desses densos nevoeiros que percorrem a Jutelândia e que encerram em si as respostas que se procuram, mas que não se ncontram nen nunca se hão de encontrar.
Esta é, pois, mais uma história de mistério, fazendo jus ao nome do pais de "estranho reino da dinamarca."
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Libertação
P'ra que ninguém saiba e ninguém oiça
gritas baixinho, sussuras.
O vento leva as palavras
para a distância onde mora quem não há.
A liberdade de dizer, é assim:
Falar como se fosse ar,
dizer como se fosse só pensar
cobrir de nevoeiro o que se sente
fazer de conta
fazer de conta, sempre!
Fazer de conta que nao há nada p'ra comunicar..
Parece paz, tranquilidade, satisfação.
alegria imaginada
emoção desapaixonada
fluxos espirituais de libertação.
Vida de cão!.
gritas baixinho, sussuras.
O vento leva as palavras
para a distância onde mora quem não há.
A liberdade de dizer, é assim:
Falar como se fosse ar,
dizer como se fosse só pensar
cobrir de nevoeiro o que se sente
fazer de conta
fazer de conta, sempre!
Fazer de conta que nao há nada p'ra comunicar..
Parece paz, tranquilidade, satisfação.
alegria imaginada
emoção desapaixonada
fluxos espirituais de libertação.
Vida de cão!.
Frustração
Era a hora da lua
uma claridade vaga já a anunciava
era a hora
era.
E a lua não chegou.
Era a noite das estrelas,
em doce harmonia a brilharem no céu
era a hora
era.
E as estrelas não vieram.
Rompeu o dia.
Era a hora do Sol,
o imenso sol de luz e de calor.
Era a hora
Era.
E o sol não veio.
Era a hora da vida.
Do crescer, compreender, realizar.
Era a hora de, cantar, de rir, de celebrar.
Era a hora,
Era
E chegou a Morte.
.
uma claridade vaga já a anunciava
era a hora
era.
E a lua não chegou.
Era a noite das estrelas,
em doce harmonia a brilharem no céu
era a hora
era.
E as estrelas não vieram.
Rompeu o dia.
Era a hora do Sol,
o imenso sol de luz e de calor.
Era a hora
Era.
E o sol não veio.
Era a hora da vida.
Do crescer, compreender, realizar.
Era a hora de, cantar, de rir, de celebrar.
Era a hora,
Era
E chegou a Morte.
.
domingo, 17 de agosto de 2014
Vagabundo
Céu,
vagabundo escorregar das estrelas
nuvens soltas ao correr do vento
vozes aqui, que porém não estão.
A distância deste azul tão escuro
amedronta até a solidão!
Não há horas nesta longa espera,
os relógios explodiram de tanto contar!
que o infinito é incontável mesmo...
Vagabundo céu,
sem caminho certo!
Vozes longe mas que estão tão perto!
Multidões de vida
que fazem um deserto.
Vagabundo pensar
que corre sem acerto.
vagabundo escorregar das estrelas
nuvens soltas ao correr do vento
vozes aqui, que porém não estão.
A distância deste azul tão escuro
amedronta até a solidão!
Não há horas nesta longa espera,
os relógios explodiram de tanto contar!
que o infinito é incontável mesmo...
Vagabundo céu,
sem caminho certo!
Vozes longe mas que estão tão perto!
Multidões de vida
que fazem um deserto.
Vagabundo pensar
que corre sem acerto.
domingo, 10 de agosto de 2014
Adormecer
Olho para o mar,
procuro o longe,
procuro a côr, a forma, o som, cheiro...
Mas, no horizonte da noite,
só o sol da lua se consegue ver
a voz do vento e a voz do mar se escutam,
o cheiro das estevas, que por perto se adivinham.
Se os meus olhos fossem olhos de ver!
De ver para lá do que não se pode ver...
Então carrega-se o ficheiro antigo,
gravado e mil vezes processado,
o ficheiro da recordação.
E está lá tudo:
a côr - da pele-
o som - da voz-
a forma - do sorriso-
o jeito - do andar-do falar- e do dizer
Então a imensidão do horizonte noite
ganha contornos do teu ser.
Serenamente
começo a adormecer.
procuro o longe,
procuro a côr, a forma, o som, cheiro...
Mas, no horizonte da noite,
só o sol da lua se consegue ver
a voz do vento e a voz do mar se escutam,
o cheiro das estevas, que por perto se adivinham.
Se os meus olhos fossem olhos de ver!
De ver para lá do que não se pode ver...
Então carrega-se o ficheiro antigo,
gravado e mil vezes processado,
o ficheiro da recordação.
E está lá tudo:
a côr - da pele-
o som - da voz-
a forma - do sorriso-
o jeito - do andar-do falar- e do dizer
Então a imensidão do horizonte noite
ganha contornos do teu ser.
Serenamente
começo a adormecer.
Um outro experimentar
A transbordar de lua
voz do mar tão perto
grilos que tentam conversar
tranquilidade de relógio que encravou
para nos tempo pra sonhar.
Sonhar...
Um outro mundo imaginado
com míticas existências:
seres dum outro experimentar
que se adivinham
por entre os raios deste luar.
.
voz do mar tão perto
grilos que tentam conversar
tranquilidade de relógio que encravou
para nos tempo pra sonhar.
Sonhar...
Um outro mundo imaginado
com míticas existências:
seres dum outro experimentar
que se adivinham
por entre os raios deste luar.
.
domingo, 3 de agosto de 2014
Não sei
Tu és o medo
que trago nas entranhas
um medo escuro, de sobressaltos tristes.
Com essa luz fantástica
que transforma a noite em dia
és sol que dá som à alegria.
És o que não sabes
e eu também não sei.,,
que trago nas entranhas
um medo escuro, de sobressaltos tristes.
Com essa luz fantástica
que transforma a noite em dia
és sol que dá som à alegria.
És o que não sabes
e eu também não sei.,,
Nem Deus
Palavras
Soltas ao correr das teclasQue não te digo nem te conto
P’ra que não te zangues…
Os bancos, os partidos, o meu futuro
O que faço aqui. O que farei…Tudo isso apenas uma nuvem
Que se desloca no meu tempo
Como se fosse atmosfera
Volátil
Etérea…
O importante és tu!
Salazar, Passos Coelho, Espirito Santo. Nuno Crato…
Desperdícios deste tempo,
Nomes escritos em tintas invisíveis,
Que se desvanecem numa realidade que não é a minha….
Não estando, estás,
Sem te ver, te vejo
Sem te ouvir, te oiço.
Dói-me a distância, dói-me a ausência,
Dói-me a urgência de ouvir a tua voz.
Mas nem Deus me diz porquê!
Subscrever:
Comentários (Atom)